Documentos judiciais tornados públicos na quinta-feira (17) mostram que funcionários da Microsoft e da OpenAI discutiam, já em 2023, se treinar IA com artigos jornalísticos seria o "maior roubo de trabalho da história da humanidade". O temor está em memorandos internos.

Um documento interno da Microsoft de 2023 temia um "ciclo de destruição" que ameaçaria os modelos no futuro. O texto dizia: "Milhões de pessoas em breve considerarão que grandes modelos estão 'aspirando' todo o trabalho delas como um roubo impressionante, de proporções sem precedentes".

Dentro da OpenAI, o executivo Nick Turley, do ChatGPT, escreveu em memorando de 2023 que a IA era uma "ameaça existencial" à imprensa. Em 2024, reforçou: produtos de IA "serão cada vez mais substitutivos à medida que melhorarem".

O que está em julgamento no processo

Os trechos vieram a público no processo movido pelo New York Times contra a OpenAI e a Microsoft no fim de 2023, ao qual outros 11 veículos de imprensa aderiram depois. O caso corre no Tribunal Distrital dos EUA em Nova York.

O juiz Sidney H. Stein analisa agora pedidos de julgamento sumário, e os documentos internos vêm sendo divulgados aos poucos ao longo desse processo.

Os veículos de imprensa dizem que as empresas violaram direitos autorais ao coletar reportagens sem pagamento para treinar seus sistemas. A Microsoft e a OpenAI rebatem: alegam "fair use", já que os textos foram transformados o suficiente para gerar produtos novos.

Um porta-voz da Microsoft, Alex Haurek, disse em nota que os memorandos internos foram escritos pelo executivo Brent Hecht.

O caso ganha relevância num momento em que estudos tentam medir quais empregos a IA mais ameaça no Brasil.

A disputa ocorre em meio a uma onda de escrutínio sobre as big techs de IA: nos Estados Unidos, uma juíza já obrigou o Google a mudar regras de publicidade em outro processo antitruste.

A Microsoft, aliás, criticou nesta sexta a rival Anthropic por ensinar sua IA a se achar consciente, no mesmo momento em que enfrenta questionamentos sobre a própria conduta.