Aurélio Pavinato, diretor-presidente da SLC Agrícola, disse que as restrições ambientais da União Europeia às exportações agrícolas brasileiras são administráveis com a abertura de novos mercados. A avaliação foi feita em entrevista ao CNN Cast durante o Fórum CEO Brasil.

Segundo ele, os preços das principais commodities, como soja, milho, algodão, trigo, café e açúcar, já subiram entre 15% e 30% em relação aos níveis do início do ano, revertendo um ciclo de baixa que durou de 2024 a meados de 2026.

"A expectativa é que 2027 será melhor do que foi 2026", projetou o executivo, mesmo com o aumento nos custos de fertilizantes, pressionados por conflitos internacionais.

Por que a UE restringe a soja brasileira

Em dezembro entra em vigor o EUDR, regulamento europeu que proíbe a entrada no mercado do bloco de produtos ligados a desmatamento ou degradação florestal. A medida afeta soja, carne e outros itens exportados pelo Brasil ao continente.

Pavinato criticou o que chamou de viés político da medida: "a discriminação da importação de soja do Brasil porque está sendo produzida em uma região que tem desmatamento. O Brasil hoje não precisa mais desmatar para produzir soja", disse.

Ele questiona a comparação de sustentabilidade entre a produção europeia e a brasileira, e afirma que a empresa não expande mais suas operações para áreas desmatadas desde agosto de 2021.

Soja, milho, algodão e sementes são produzidos em áreas próprias ou arrendadas, sob controle também dos fornecedores de gado. A companhia já vinha ampliando terras via aquisição da Radar.

Sobre as tarifas dos Estados Unidos, o executivo disse que o efeito é mais direto sobre os produtos destinados ao mercado americano, enquanto o cenário segue favorável para os demais destinos. "O Brasil hoje não taxa as exportações, então as exportações são isentas", afirmou.

O país exporta cerca de metade de todos os grãos que produz, além de carnes e frutas.

O que acontece agora

O EUDR passa a valer em dezembro, e a expectativa da SLC Agrícola é compensar eventuais perdas no mercado europeu com novos destinos.

O impacto do El Niño sobre a safra 2026/27 segue sendo monitorado pelo setor como outro fator de risco para os preços.