O prefeito de Nova York, o democrata socialista Zohran Mamdani, pediu um encontro com o presidente Lula (PT), que chega à cidade neste domingo (20) para discursar na Assembleia-Geral da ONU. A equipe brasileira avalia a bilateral com o maior opositor de Trump nos EUA.
A equipe de Mamdani havia convidado Lula, inicialmente, para um encontro de líderes progressistas ao lado do premiê da Espanha, Pedro Sánchez, sobre economias mais inclusivas. Lula recusou, e os assessores do prefeito sugeriram que ele fosse recebido pelo presidente brasileiro em bilateral.
Segundo o Itamaraty, a conversa é uma das possibilidades avaliadas para a agenda de Lula na cidade, ainda sem confirmação. A decisão final depende do Palácio do Planalto, que recebeu lista extensa de pedidos de bilateral para a semana da Assembleia-Geral.
A aproximação é vista com cautela: um encontro com Mamdani pode ser lido pela Casa Branca como provocação, em meio a tensões recentes entre Brasília e Washington. Elas já incluem sanções a autoridades brasileiras e a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti.
A embaixadora, porém, segue trabalhando normalmente em Washington.
Uma pessoa envolvida nas conversas avalia que não há motivo para temer represália, já que o próprio Trump se reuniu com Mamdani antes e o elogiou publicamente. Lula recebe vários pedidos de bilateral a cada Assembleia-Geral.
Mamdani assumiu a Prefeitura de Nova York em janeiro deste ano, com agenda ligada ao campo progressista americano. Uma reunião aproximaria Lula de uma das novas lideranças da esquerda nos EUA, a duas semanas das eleições brasileiras de 4 de outubro.
A viagem é a última saída internacional de Lula antes da eleição, com comitiva enxuta, segundo o Itamaraty. Além da bilateral em avaliação, o presidente também deve rebater sanções dos Estados Unidos no discurso, incluindo tarifas e a Lei Magnitsky aplicada a autoridades brasileiras.
O que acontece agora
Lula chega a Nova York no domingo (20/9) à noite e cumpre agenda bilateral concentrada na segunda-feira (21/9), com encontro previsto com o secretário-geral da ONU, António Guterres. A reunião com Mamdani, se confirmada, deve ocorrer no mesmo dia.
Na terça-feira (22/9), Lula abre o Debate Geral da Assembleia, tradição que o Brasil mantém desde 1955, e discursa antes do próprio Trump. No pronunciamento, o presidente deve cobrar a não interferência em assuntos internos de outros países.
A fala vem dias depois de Lula revelar ter pedido a Trump, por telefone, que não interferisse nas eleições brasileiras. Antes do discurso, Lula ainda concede entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, na residência do embaixador Sérgio Danese, onde ficará hospedado.
Segundo o Valor, não há previsão de reunião entre Lula e Trump fora da sessão de abertura, nem intenção do governo de discutir as tarifas americanas. Encerrado o discurso, Lula retorna ao Brasil.



























