A economia mundial busca cada vez mais se distanciar dos EUA, com investidores evitando títulos americanos e países retirando ouro dos cofres americanos, segundo a Folha. O Banco Central do Brasil segue direção parecida: dobrou o peso do ouro nas reservas desde 2021.

Apesar das promessas de empresas e países estrangeiros de investir nos Estados Unidos, muitas vezes para conquistar o apoio da Casa Branca, o capital global já começa a buscar destinos alternativos, segundo o jornal.

Fatores geopolíticos e a transformação do dólar em uma arma por meio de sanções financeiras dos EUA estão levando bancos centrais e outros investidores oficiais a tentar diversificar seus ativos para longe do dólar

A avaliação é de Eswar Prasad, ex-chefe da divisão da China do Fundo Monetário Internacional (FMI). A dívida dos Estados Unidos soma US$ 40 trilhões, e o rendimento do Treasury de 10 anos superou 5% nesta semana, o maior nível desde 2007.

Em depoimento ao Congresso americano na terça (15), o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse continuar confiante na credibilidade do sistema financeiro americano. "Os EUA são, de fato, o líder, e o líder não teme a concorrência", afirmou.

No Brasil, o movimento de diversificação já é realidade. A participação do dólar nas reservas internacionais brasileiras caiu de 82% em 1994 para 72% em 2025, segundo o Banco Central, ainda acima da média global de 56,8% apontada pelo FMI.

O Banco Central comprou 62,3 toneladas de ouro em 2021, na gestão de Roberto Campos Neto, e mais 42,8 toneladas entre setembro e novembro de 2025, já sob Gabriel Galípolo.

Com isso, o metal passou de 3,55% para 7,19% das reservas, tornando-se o 2º ativo mais importante da carteira, atrás só do dólar.

A diversificação também passou pelo renminbi chinês, que saiu de zero em 2020 para quase 6% das reservas, além do won sul-coreano e dos dólares canadense e australiano. O país já não aposta só no dólar como salvaguarda diante de crises externas.

O pano de fundo inclui a alta de juros nos Estados Unidos: o Federal Reserve subiu a taxa básica em 0,25 ponto percentual na quarta (16), para a faixa de 3,75% a 4,00%, a primeira alta desde 2023.

Dias antes, o Banco do Japão também havia elevado os juros, no mesmo movimento em que a Bolsa brasileira sentiu o baque nesta semana.

O momento também coincide com a queda de braço comercial entre Brasil e EUA: Brasília rejeitou nesta semana exigências americanas sobre terras raras em troca de alívio no tarifaço.

Para amenizar o impacto do tarifaço nas empresas exportadoras, o governo já abriu o Brasil Soberano 3, linha de R$ 22,6 bilhões do BNDES.