O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (18) que está banindo a CNN, o site Politico e a rede MS NOW (antiga MSNBC) da Casa Branca, acusando os três veículos, sem provas, de publicarem notícias falsas. Ele deixou em aberto banir outros.

"Tenho orgulho de anunciar que, com efeito imediato, estou banindo a rede de notícias falsas CNN, a MS NOW e a Politico da Casa Branca", escreveu Trump no Truth Social. "Outros veículos de Fake News serão os próximos."

Os três veículos e o National Press Club, associação de jornalistas de Washington, não responderam de imediato aos pedidos de comentário.

Por que essa proibição pode não se sustentar na Justiça

Jameel Jaffer, diretor do Knight First Amendment Institute, criticou a medida: "Com tantos tribunais tendo decidido contra ele exatamente nesse ponto, seria de se pensar que o presidente Trump já teria aprendido essa lição." A referência é ao histórico de derrotas do governo na Justiça.

Segundo Jaffer, expulsar essas organizações do pool de imprensa da Casa Branca é duplamente inconstitucional, porque esse pool é um "fórum público" pela Primeira Emenda — o presidente não pode excluir jornalistas dele com base no ponto de vista deles.

O precedente mais próximo é o banimento da Associated Press em fevereiro de 2025, por recusar chamar o Golfo do México de "Golfo da América", nome que o próprio Trump impôs por decreto. A AP processou a Casa Branca.

Um juiz federal indicado pelo próprio Trump decidiu a favor da agência em março: "Se o governo abre suas portas a alguns jornalistas, não pode fechar essas portas a outros por causa do ponto de vista deles."

Em junho, o Tribunal de Apelações do Circuito de D.C. reverteu a decisão por 2 votos a 1, a favor da Casa Branca. Em novembro, a AP pediu a um novo painel de juízes que declare a violação de seus direitos.

O padrão que já dura dois mandatos

Trump ataca a imprensa desde o primeiro mandato (2017-2021), quando chamava jornalistas de "inimigos do povo". Em março de 2025, ele disse que CNN e MSNBC "escrevem literalmente 97,6% de coisas ruins" sobre ele.

Trump também as chamou de "braços políticos do Partido Democrata", padrão parecido com o vídeo falso feito com IA que postou sobre um ataque no Irã. Ao mesmo tempo, facilita o acesso de veículos aliados às coletivas na Casa Branca.

O ponto em aberto

O histórico mostra o tribunal dividido: um juiz decidiu contra o banimento da AP, e a instância seguinte decidiu a favor por margem mínima. A proibição contra CNN, Politico e MS NOW deve seguir caminho parecido.

No Brasil, o debate sobre os limites da liberdade de imprensa também chegou ao Judiciário, por outras vias.