O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), protocolou nesta segunda-feira (31) a indicação formal do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU). O texto, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 995/2026, reúne assinaturas de 20 senadores de partidos que vão do PL ao PT.

O plenário deve votar a confirmação já nesta terça (1º) ou na quarta-feira (2), a depender do quórum. Pacheco precisa de pelo menos 41 votos favoráveis em escrutínio secreto.

A vaga foi aberta horas antes, quando o ministro Bruno Dantas comunicou ao Senado a renúncia ao cargo que ocupava desde 2014.

Dantas tem 48 anos e poderia permanecer na Corte até os 75, idade da aposentadoria compulsória. Decidiu sair 27 anos antes do limite, numa decisão que chamou de "pessoal e voluntária, amadurecida ao longo dos últimos meses".

na véspera Alcolumbre sinalizava a movimentação. O presidente do Senado só aguardava a formalização da saída de Dantas para indicar Pacheco.

Para onde vai Bruno Dantas

O ex-ministro avalia assumir o comando de uma empresa ligada aos irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores da J&F Investimentos. Também planeja se dedicar a iniciativas em áreas estratégicas de interesse nacional e à vida acadêmica.

Cid Gomes (PSB-CE), líder do partido de Pacheco no Senado, disse esperar aprovação por unanimidade. Parlamentares avaliam que o nome tem trânsito nas principais bancadas, com apoio articulado junto a MDB, União Brasil e PSD.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve orientar a bancada a votar a favor da indicação.

O TCU e a vaga disputada

O TCU fiscaliza as contas do governo federal e tem nove ministros titulares: três indicados pelo Senado, três pela Câmara e três pela Presidência da República.

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Colegas de Pacheco avaliam que a indicação pode reacender o debate sobre a ausência de mulheres na Corte. Hoje, os nove titulares são todos homens.

Pacheco chegou a disputar internamente a vaga que Lula abriu no Supremo Tribunal Federal em 2026, cadeira que o presidente preencheu com o então advogado-geral da União, Jorge Messias.

Alcolumbre articulou a rejeição de Messias no Senado e, ao mesmo tempo, defendia a candidatura do próprio Pacheco à cadeira. A frustração no STF é o pano de fundo da indicação de agora.

Depois do desgaste, Pacheco chegou a cogitar disputar o governo de Minas Gerais em 2026, mas recuou.

A movimentação também confirma a reaproximação entre Lula e Alcolumbre. Os dois romperam por causa da vaga no STF e voltaram a se falar num café da manhã no Palácio da Alvorada, em 13 de agosto.

O que acontece agora

Com a votação prevista para esta semana e sem necessidade de sabatina em comissão, o desfecho deve sair ainda nos próximos dias. Aprovado, Pacheco assume a cadeira assim que a saída de Dantas se tornar efetiva, em 9 de setembro.