Uma pesquisa do Cetic.br, braço de estudos do NIC.br, mostra que 45 milhões de brasileiros, 32% dos internautas com 16 anos ou mais, já sofreram tentativa de golpe com uso de dados pessoais. Do total, 27,5 milhões (20%) foram efetivamente vítimas de fraude.
O levantamento ouviu 2.500 pessoas entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, e foi apresentado nesta segunda-feira (31) no 17º Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais, promovido pelo NIC.br e pelo CGI.br.
Os aplicativos de mensagem são o canal mais usado pelos golpistas, citados por 84% das vítimas. Ligações telefônicas aparecem em seguida, com 79%, seguidas por sites ou aplicativos falsos e SMS, empatados em 71% cada.
Entre quem caiu no golpe, 48% perderam dinheiro diretamente para os criminosos, e 43% relataram ter perdido acesso a contas de e-mail ou redes sociais depois de serem enganados.
O medo já muda o comportamento on-line
A pesquisa também mediu o efeito da desconfiança. Entre os internautas preocupados com o uso de seus dados, 69% já apagaram aplicativos do celular por precaução, 68% deixaram de visitar certas páginas e 54% pararam de usar alguma plataforma ou serviço.
Winston Oyadomari, analista de pesquisa do Cetic.br, disse que o resultado "mostra que o cidadão brasileiro tem tomado cuidado com seus dados na web". Segundo ele, os golpes afetam pessoas de qualquer idade, mas o impacto é maior entre quem tem menor escolaridade.
A pesquisa também mirou a inteligência artificial
Outro recorte do levantamento tratou do uso de ferramentas de IA generativa. Segundo o Cetic.br, 37% dos usuários já compartilharam dados como nome, endereço ou CPF com esses sistemas, e 52% chegaram a fornecer informações de saúde durante alguma conversa.
Apesar disso, 66% dos entrevistados disseram estar preocupados com o tratamento que essas empresas dão aos dados fornecidos, um contraste entre o uso crescente da tecnologia e a desconfiança que ela ainda desperta.
O que acontece agora
O Cetic.br deve publicar o relatório completo da pesquisa nas próximas semanas, com o recorte por região, idade e escolaridade das vítimas. O NIC.br usa os dados para orientar políticas públicas de proteção a dados e educação digital.


























