O Ministério da Saúde apresentou nesta quinta-feira (3) a Central de Comando das UTIs Inteligentes do SUS, que passa a monitorar em tempo real pacientes internados em seis capitais ao mesmo tempo. A estrutura fica no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP), em São Paulo, e funciona 24 horas por dia.
A central conecta 60 leitos inteligentes já ativos em Manaus, Recife, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Seis telas grandes, interligadas, exibem em tempo real a frequência cardíaca, o nível de oxigenação e a pressão arterial de cada paciente monitorado, permitindo que uma equipe centralizada acompanhe as seis unidades ao mesmo tempo.
O monitoramento remoto depende de conexão estável, o mesmo tipo de infraestrutura que levou o governo a contratar internet para 1.832 postos de saúde com um edital de R$ 50 milhões, anunciado em agosto.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou o projeto pessoalmente. "Estamos falando de inteligência artificial real em uso no SUS, não de ficção científica", disse.
Como o sistema funciona na prática
A abordagem é de medicina preditiva: em vez de esperar a piora do paciente para agir, o sistema usa os dados coletados para tentar antecipar complicações. Segundo o Ministério da Saúde, os objetivos são reduzir complicações clínicas, encurtar o tempo de internação e aumentar o giro de leitos, o que amplia o acesso a quem precisa de vaga de UTI.
Quem administra o Instituto Tecnológico de Emergência do HC-USP, sede da central, é o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI). A organização social foi selecionada por chamamento público publicado no Diário Oficial da União.
O programa tem uma etapa irmã fora da internação: o SAMU Inteligente, que aplica lógica parecida ao atendimento pré-hospitalar e já opera em Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife. A central de UTI entra numa sequência recente de investimento em tecnologia do Ministério da Saúde, que também distribuiu 500 ultrassons portáteis a postos de saúde de 23 estados em agosto.
A rede ainda é pequena perto do tamanho do SUS
A meta oficial é chegar a 280 leitos inteligentes em 14 instituições de saúde, com a próxima etapa incorporando respiradores pulmonares à rede de monitoramento remoto. Isso mostra que os 60 leitos de hoje são só a primeira fase de um sistema que ainda cobre uma fração pequena do total de leitos de UTI do SUS.
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O contraste apareceu no mesmo pacote de notícias do ministério. No mesmo dia, o Denasus, órgão de auditoria do SUS, apontou irregularidades no Pronto Socorro Municipal de Ananindeua (PA). Havia leitos de UTI ociosos enquanto pacientes aguardavam vaga, além de falta de insumos básicos.
A tecnologia de ponta em seis capitais convive, assim, com gargalo de gestão em outros pontos da rede pública.
O que acontece agora
O Ministério da Saúde não deu data para os próximos leitos entrarem na central nem para a chegada dos respiradores inteligentes. A expansão para 280 leitos em 14 instituições segue sem cronograma público, mas a central já está operando com as seis unidades atuais.




























