O payroll de agosto nos Estados Unidos mostrou a criação de 162 mil vagas de emprego, quase o triplo das 56 mil esperadas pelo mercado. O resultado, divulgado nesta sexta-feira (4), derrubou o Ibovespa futuro e fez o dólar subir ante o real.
O setor privado americano sozinho abriu 127 mil vagas, quase o triplo do previsto pelos economistas. A taxa de desemprego nos Estados Unidos ficou estável em 4,1%, e o salário por hora subiu 0,3% no mês.
O Ibovespa futuro caiu 0,36%, a 187.120 pontos, na manhã desta sexta. O dólar comercial abriu em alta, interrompendo a queda que levou a moeda de R$ 5,20 a R$ 5,09 ao longo da semana.
Um mercado de trabalho americano mais forte reduz a pressão para o Federal Reserve cortar juros logo. Isso pesa também na decisão do Copom, marcada para 16 de setembro.
A Selic está em 14,00% ao ano. O Citi projeta um corte de 0,25 ponto na próxima reunião, para 13,75%, enquanto o BofA vê espaço para a taxa cair até 11,25% somente no fim do ano.
Payroll forte tende a favorecer o cenário mais conservador, de corte menor e mais lento.
A reação de hoje é o espelho do que aconteceu em agosto. Quando o payroll veio fraco, no início do mês, o dólar caiu a R$ 5,08 e o Ibovespa recuou 1,73%, o movimento oposto ao de hoje.
O câmbio brasileiro também vinha de outra fonte de volatilidade nas últimas semanas. O discurso do presidente do Fed em Jackson Hole, no fim de agosto, levou o dólar a R$ 5,21 antes de recuar.
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O que acontece agora
O Copom se reúne em 16 de setembro para decidir o novo patamar da Selic. O mercado também acompanha a dívida pública, que já soma 82,5% do PIB, fator que entra na conta do espaço para novos cortes.
O ponto em aberto
O mesmo indicador americano moveu o mercado brasileiro em direções opostas em menos de um mês, ora derrubando o dólar, ora subindo-o.
Isso expõe uma dependência que pouco tem a ver com a economia doméstica. O rumo do câmbio e da Selic no Brasil segue reagindo mais a um único número divulgado em Washington do que a dados internos.


























