Brasil e Estados Unidos fizeram nesta sexta-feira (25) a primeira reunião de consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a tarifa de até 37,5% que os EUA aplicam a produtos brasileiros. O encontro, em Genebra, durou cerca de duas horas e terminou sem acordo.
A delegação brasileira apresentou quase 50 perguntas e subquestionamentos sobre as justificativas dos EUA para a sobretaxa. Representantes americanos evitaram responder à maioria delas, segundo pessoas que acompanharam o encontro.
O Brasil já havia avisado que levaria o tarifaço a esta consulta na OMC ainda na semana passada.
A China chegou a pedir para participar do encontro, mas teve o pedido negado pelos EUA.
Do total de 37,5% de sobretaxa, 25 pontos percentuais respondem a práticas comerciais que os EUA consideram desleais. Os outros 12,5 pontos são atribuídos à falha do Brasil em coibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado.
As investigações da Seção 301 dos EUA também citam o Pix, o comércio digital, a taxa sobre etanol, o desmatamento, a propriedade intelectual, o combate à corrupção e as tarifas preferenciais que o Brasil dá a México e Índia.
A delegação brasileira foi liderada pelo embaixador Guilherme Patriota na OMC.
Do lado americano, esteve um integrante do USTR enviado de Washington. Joseph Barloon, chefe da missão dos EUA na OMC, não participou do encontro.
O impasse mostra que a disputa comercial entre os dois países está longe de uma solução rápida.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 16,5% das exportações brasileiras aos EUA sofrem a incidência conjunta das duas tarifas, em produtos como máquinas, madeira, calçados, móveis e confecções. Outros 4,7% pagam somente 12,5%. Já 1,9% sofrem apenas os 25% adicionais.
O que acontece agora
A próxima rodada de negociação será em Milwaukee, nos Estados Unidos, entre 30 de setembro e 1º de outubro. Os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa representarão o Brasil.
Se as consultas na OMC não avançarem dentro do prazo de 60 dias, o Brasil poderá pedir a formação de um painel de especialistas, ainda que o órgão de apelação da entidade esteja sem juízes desde 2019.





























