O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (24) que não vai ceder às tarifas dos Estados Unidos. Durante ato de campanha em Maceió (AL), ele disse que vai buscar outros parceiros comerciais e citou queda nas exportações ao mercado americano.
Segundo Lula, as vendas aos Estados Unidos caíram 9% no último ano, mas o superavit comercial total do Brasil soma US$ 80 bilhões por ano.
"Então é o seguinte, então eu disse pro Trump: 'Você quer taxar, você taxa. Eu não vou ficar chorando, não. Eu vou procurar outros países pra comprar as coisas desse país'", declarou Lula.
Os Estados Unidos confirmaram em julho uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, baseada na Seção 301, que permite investigar práticas comerciais consideradas desleais pelo governo americano.
O governo brasileiro contestou as justificativas e levou o caso à Organização Mundial do Comércio em consulta formal.
Os EUA também aplicaram uma sobretaxa de 12,5% ligada a uma investigação sobre trabalho forçado. Em alguns casos, as duas medidas se somaram a outras tarifas que já atingiam aço, alumínio e automóveis.
As negociações entre os dois países ficaram paradas na segunda metade de julho. Em 21 de agosto, Lula e Trump conversaram por telefone durante 1h20 e concordaram em retomar as tratativas.
Desde então, os governos já marcaram uma primeira reunião presencial sobre o tarifaço, mas nenhum acordo foi fechado até agora.
O que Lula disse sobre as terras-raras?
Lula afirmou que o Brasil pode ter a 2ª maior reserva de terras-raras do mundo, mas que o país ainda conhece apenas 30% do próprio território. Segundo ele, os minerais estratégicos não devem ser exportados como matéria-prima bruta.
"Não adianta o Trump dizer: 'Ah, eu quero as terras-raras'. Se ele quiser, que tenha as dele, porque a nossa é nossa e é do povo brasileiro", disse o presidente.
Lula defendeu processar os minerais estratégicos dentro do país, em vez de repetir o modelo de exploração do ciclo do ouro, quando o Brasil exportava a matéria-prima sem beneficiamento.
Nem toda a política brasileira apoia a estratégia do governo. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) critica a condução das negociações pelo Planalto e já apresentou um documento próprio aos americanos.
O documento pede a suspensão das tarifas, a exclusão do Pix da disputa comercial e uma negociação bilateral direta com os EUA.
O governo americano chegou a apresentar um pacote de contrapartidas em troca de aliviar o tarifaço, que incluía exigências comerciais, regulatórias e sobre as condições da eleição presidencial de 2026.
Integrantes do governo Lula classificaram a proposta como inaceitável e recusaram misturar comércio com política interna.
O que acontece agora
A consulta brasileira contra os Estados Unidos segue em análise na Organização Mundial do Comércio, depois que os americanos tentaram barrar a participação da China no processo.
O Brasil aguarda uma nova rodada de negociação bilateral. Enquanto isso, o BNDES já abriu uma linha de R$ 22,6 bilhões para socorrer empresas exportadoras afetadas pelas sobretaxas americanas.





























