O papa Leão XIV celebrou neste sábado (26) uma missa ao ar livre para cerca de 800 mil pessoas na Avenida Champs-Élysées, em Paris, a maior da sua viagem de quatro dias à França, que também passou por Notre Dame e vai a Lourdes.

No mesmo período, a França bateu recorde de batismos de adultos.

“Somente Deus pode preencher o vazio dentro de nós”, disse o papa em sua homilia em Paris.

A França registrou mais de 20 mil batismos de adultos e adolescentes em 2026, alta de 20% sobre 2025. Entre os adultos, foram 13.234 batismos, mais do triplo dos cerca de 4.100 registrados em 2016.

Apenas 8% dos franceses vão à missa todo domingo, mas o país vive o maior boom de conversões em décadas.

Os novos batizados têm entre 18 e 70 anos. Loïs Barbichon, 22 anos, se converteu durante a pandemia de Covid-19, "em grande parte através da leitura". Jaoide chegou à fé depois de ler o Alcorão e o Novo Testamento, "impressionado com a figura de Jesus".

Entre os presentes estavam a líder de extrema-direita Marine Le Pen, favorita nas pesquisas para a eleição do ano que vem, o premiê Sébastien Lecornu e o bilionário Bernard Arnault. A católica Leontine Joseph, 42, foi à missa com duas amigas de cultura muçulmana.

"A mensagem do Papa Leão XIV vai muito além dos católicos. Ele fala sobre justiça social, por exemplo", disse Leontine Joseph.

Na véspera, na sede da Unesco, o papa alertou que a ONU e outros organismos multilaterais estão "em crise". Ele repetiu o apelo para reconsiderar o avanço da inteligência artificial, alertando para o risco de um "paraíso de máquinas" assumir a Terra.

Não é a primeira vez que o papa faz o alerta. Em maio, ele publicou uma encíclica sobre os riscos da inteligência artificial.

Na quinta-feira (24), ele já havia dito que o risco de um apocalipse causado pela IA é real.

O ponto em aberto

O papa chamou o crescimento dos batismos de "obra surpreendente de Deus" e pediu à Igreja para encontrar um equilíbrio entre acolher os novos convertidos e formá-los na fé.

Fica a pergunta se esse ritmo de conversão, que triplicou em dez anos mas ainda é uma fração pequena da população francesa, resiste ao fim da visita papal, quando a curiosidade em torno do evento se dissipar.