A maquiadora Luanny Moura, de 27 anos, do Acre, viralizou neste sábado (26) ao mostrar que os fotógrafos do casamento dela entregaram fotos com rostos de familiares alterados por IA. O vídeo já passa de 9,3 milhões de visualizações.

Na avó de 87 anos, a edição apagou as marcas da idade e deixou um rosto de aparência infantil. "Parece meu filho de 3 anos no corpo da minha avó", descreveu Luanny.

O que a noiva mostrou nos vídeos?

A noiva também mostrou que a tia do marido apareceu com traços completamente diferentes na edição, e que o próprio pai dela ficou com a fisionomia irreconhecível na foto entregue.

"POV: Recebi minhas fotos de casamento e parecem ter saído direto do ChatGPT (Do grátis)", escreveu Luanny na legenda do vídeo, publicado três dias depois de receber o álbum. Segundo ela, o casamento aconteceu em agosto, e as fotos foram entregues na quarta-feira (23/9).

Luanny contou que chorou por três horas seguidas ao conferir o resultado.

Não é a primeira vez que um conteúdo feito com IA viraliza no Brasil. Em junho, um hit da Copa criado com a tecnologia rendeu contrato com gravadora a um DJ de Uberlândia.

"Antes de receber o álbum completo, eles me enviaram algumas fotos de prévia e gostei muito do resultado e até elogiei a edição, mas quando recebi o restante fiquei apavorada e sigo traumatizada", relatou.

O episódio reacende a discussão sobre como identificar imagens alteradas por inteligência artificial, tema que já rendia dúvida entre consumidores antes mesmo do caso viral.

O que acontece agora

Depois da reclamação, uma pessoa da equipe de fotógrafos pediu desculpas a Luanny e disse que também não sabia como reagir diante da situação. Ela recebeu de volta o dinheiro que havia pago pelo serviço.

A identidade da empresa de fotografia não foi revelada, e o g1 não conseguiu contato com ela para comentar o caso. No Congresso, tramita ainda hoje um projeto que propõe nova regra para o uso de inteligência artificial no Brasil, sem previsão de votação.

Um artigo especializado publicado após o caso viral defende que a responsabilidade pelo resultado é sempre do fotógrafo, nunca da ferramenta de IA: a pergunta certa não seria "a IA consegue fazer isso", mas "esta fotografia precisa desta alteração".

Segundo o texto, não existe um limite universal para o retoque: um cliente pode aceitar suavizar a pele e rejeitar a reconstrução do rosto, por exemplo, e por isso a expectativa precisaria ser combinada antes da entrega, não depois.