A delegação brasileira deixou o plenário da Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira (24) quando o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, começou a discursar, em protesto contra a guerra em Gaza. É a terceira vez seguida que o Brasil repete o gesto, segundo o Estadão.

Enquanto o plenário esvaziava, o chanceler Mauro Vieira nem estava na sala. Ele copresidia, no mesmo horário, uma reunião sobre a UNRWA (a agência da ONU para refugiados palestinos) ao lado da Jordânia, da Espanha e do secretário-geral António Guterres.

Na reunião, Vieira reforçou a posição do governo brasileiro em defesa da causa palestina e condenou a destruição de instalações da agência em Jerusalém Oriental. Fontes do Itamaraty disseram que a retirada do plenário já estava planejada para o início do discurso de Netanyahu.

O que motivou o protesto

Segundo o Itamaraty, a retirada foi solidariedade aos 394 funcionários da UNRWA mortos em ataques israelenses desde outubro de 2023. A agência de assistência a refugiados palestinos teve instalações destruídas em Jerusalém Oriental, motivo citado por Vieira na reunião paralela.

Se há mais covardes morais que ainda não saíram desse salão, por favor, façam isso agora.

A frase foi dita por Netanyahu ao notar que delegações, entre elas a do Brasil, deixavam o plenário durante seu discurso.

Ele foi vaiado por parte dos presentes.

O premiê israelense classificou as acusações de genocídio contra seu governo como "a maior mentira do século".

Dois dias antes, no discurso em que classificou a guerra em Gaza como genocídio, Lula já havia criticado o premiê israelense: "Gerações de palestinos vão carregar a dor e o trauma deixados pelo genocídio cometido pelo governo Netanyahu".

A repetição do protesto consolida um padrão diplomático que o Brasil mantém desde 2024, ano seguinte ao início do conflito em Gaza, segundo apurou a CNN Brasil. A saída foi acompanhada por diversas outras delegações.

A tensão entre Brasília e Tel Aviv já vinha subindo nesta semana. Dias antes do discurso de Netanyahu, um vídeo oficial de Israel contra a ONU usou uma arara para representar o Brasil.

O episódio também ocorre na mesma semana em que os Estados Unidos, principal aliado de Israel, reduziram o financiamento à ONU e passaram a barrar vistos de autoridades, movimento que aumentou o atrito com o organismo.

Nos corredores da ONU, a debandada foi descrita como uma das maiores já registradas em discurso da Assembleia Geral. Netanyahu discursou por último entre os líderes desta quinta. O Itamaraty não informou se o gesto se repetirá nas próximas edições da Assembleia.