O ex-tenista suíço Roger Federer disse, em entrevista ao jornal britânico Financial Times, que o tênis deveria abraçar TikTokers, YouTubers e Instagrammers para atrair públicos novos e mais jovens, véspera da Laver Cup, torneio que ele co-fundou em 2017, em Londres.

“A beleza do tênis, na minha opinião, está no silêncio e, então, de repente, em uma explosão de aplausos. Precisamos preservar isso”, disse Federer sobre as interferências no US Open.

A declaração vem depois de jogadores reclamarem de interferências de criadores de conteúdo durante partidas no US Open, no início de setembro. Segundo relatos, eles usavam luzes ou faziam barulho para gravar coreografias enquanto os jogos aconteciam.

Para Federer, os criadores de conteúdo "vieram para ficar" e tornam o esporte "muito mais atraente e fácil de consumir". Ainda assim, ele considera que os episódios do US Open "provavelmente foram longe demais".

Para ele, fazer barulho durante o jogo não é aceitável.

Federer reconheceu que mudança incomoda o meio. "No tênis, somos mestres em dizer que vamos manter tudo como está pelos próximos mil anos, mas estamos melhorando", disse.

Segundo ele, cresce a pressão para que os torneios liberem trechos das partidas aos criadores, em vez de reter o material para proteger os direitos de transmissão ao vivo. O US Open credenciou cerca de 100 influenciadores digitais nesta edição.

Torneios também apostam em videogames para tentar conquistar os fãs mais jovens, público que assiste cada vez menos a eventos ao vivo.

O movimento não é só do tênis: o futebol já vive transformação parecida, com clubes e patrocinadores recorrendo a criadores de conteúdo para reter a atenção do público mais jovem.

A Laver Cup, que reúne os melhores tenistas da Europa contra o resto do mundo, também apostou na economia dos influenciadores para ampliar sua base de fãs.

O que acontece agora

A Laver Cup 2026 abre nos próximos dias em Londres, com Federer entre os organizadores do evento que ajudou a criar. Os torneios de Grand Slam devem seguir testando novas regras para acomodar criadores de conteúdo sem repetir as interferências do US Open.

No calendário brasileiro, o Rio Open já confirmou presença de estrelas para fevereiro, em meio à mesma disputa por atenção do público jovem.