Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada em setembro mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) empatados em 41% cada em simulação de segundo turno. É a primeira vez desde março que os dois empatam nesse cenário.

A pesquisa, contratada pelo Grupo Globo, ouviu 2.004 eleitores entre 3 e 6 de setembro, com margem de erro de dois pontos e 95% de confiança. Está registrada no TSE sob o número BR-01720/2026.

Do açougue onde trabalha em São Paulo, o comerciante Kleyton Zacarioto, de 39 anos, diz que o movimento de clientes cai há anos pela alta dos alimentos. Ele reconhece que Lula "fez coisas boas" nos anos 2000, mas não vai votar nele em outubro.

"O cara que ganha um salário mínimo não tem como crescer na vida", afirmou Zacarioto.

Lula, de 80 anos, pede paciência aos eleitores e destaca o desemprego em baixa histórica, a queda da desigualdade e a desaceleração da inflação. "Eu sei que ainda não está bom, mas vou garantir: a inflação seguirá sob controle", disse em peça de campanha.

Por que a economia pesa contra Lula

A economia pesa contra Lula porque quase metade dos brasileiros, 49%, diz que a situação piorou no último ano, contra apenas 19% que veem melhora. A desaprovação ao governo nesse quesito chega a 50%, aponta a Quaest.

Flávio Bolsonaro tem hoje a maior rejeição entre os dois, com 55%, ante 53% de Lula, aponta o mesmo levantamento. Em pesquisa Quaest anterior, o presidente já aparecia com 50% de desaprovação e 44% de aprovação.

Levantamentos apontam a economia como um dos fatores da dificuldade de Lula para conter o avanço do rival. Flávio Bolsonaro tornou a percepção de que os salários não rendem como antes um dos eixos centrais de sua campanha.

Ele compara preços atuais de supermercado aos do período em que seu pai, Jair Bolsonaro, ocupava a Presidência. A campanha de Lula reagiu mudando o discurso para o bolso do eleitor.

A resposta também veio com o site "Mercado da Mentira", lançado pela campanha petista para comparar preços entre os governos Lula e Jair Bolsonaro. O site usa dados do IPCA para comparar produtos como arroz, feijão e óleo de soja.

A retração relatada por Zacarioto aparece também nos números oficiais: as vendas do varejo caíram 0,8% em julho, sinal do esgotamento do consumo das famílias.

O que acontece agora

A coligação de Lula acionou o TSE contra a campanha de Flávio Bolsonaro por um vídeo que tira de contexto uma fala do presidente sobre preço da carne, sugerindo que ele defendia substituir o alimento por ovos.

O pedido é pela retirada do conteúdo do ar. Pede também a proibição de novos impulsionamentos da mesma peça e multa de R$ 240 mil. O TSE ainda não julgou o caso.