Brasil e Estados Unidos se reúnem na sexta-feira (25), em Genebra, para discutir na Organização Mundial do Comércio (OMC) as tarifas adicionais aplicadas pelos EUA a produtos brasileiros. A consulta é a primeira etapa do processo aberto pelo governo brasileiro contra o tarifaço.
Segundo o Metrópoles, uma comitiva brasileira viaja à Suíça na quarta-feira (23) para a agenda.
O Itamaraty informou ao portal que a reunião decorre das consultas pedidas pelo Brasil em julho contra tarifas impostas a exportações brasileiras com base em duas investigações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
"Brasil solicitou consultas com os Estados Unidos a respeito das tarifas adicionais impostas às exportações brasileiras", informou o Itamaraty ao Metrópoles.
A disputa é mais um capítulo da reação brasileira a medidas comerciais de Washington. A TV Sim mostrou que Trump atacou decisões sobre tarifas nos EUA, enquanto o governo brasileiro tenta manter a controvérsia no campo multilateral.
Na prática, a reunião desta semana não significa acordo imediato. A OMC registra que o Brasil pediu consultas em 27 de julho de 2026 e que o pedido foi circulado aos membros em 30 de julho.
Consulta é a fase em que os países tentam negociar antes de uma disputa formal.
O documento da OMC diz que o Brasil questiona tarifas adicionais sobre produtos originários do país, acima das alíquotas normalmente previstas na tabela tarifária americana. A contestação mira medidas tomadas sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974.
O que está em disputa na OMC?
Está em disputa na OMC a legalidade das tarifas adicionais dos EUA contra exportações brasileiras. O USTR publicou no Federal Register uma tarifa de 25% sobre bens do Brasil, com exceções, em vigor desde 22 de julho de 2026.
A Agência Brasil registrou que o governo brasileiro também contesta uma tarifa de 12,5% e considera as medidas injustificadas. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) calculou que as novas medidas alcançam 23,1% das exportações brasileiras.
O mesmo levantamento do MDIC aponta que 52,7% das exportações seguem sem tarifas adicionais setoriais ou específicas contra o Brasil. Esse recorte ajuda a medir o tamanho do problema para empresas exportadoras, sem transformar todo o comércio bilateral em uma única alíquota.
A ofensiva comercial americana já vinha no radar diplomático. Em outro episódio, o BRICS criticou tarifas unilaterais sem citar Trump, sinal de que o tema ultrapassou a relação bilateral Brasil-EUA.
O que acontece agora
O que acontece agora é uma etapa de negociação formal. Pelas regras de solução de controvérsias da OMC, as consultas são o primeiro estágio; se não houver solução, o país reclamante pode pedir a criação de um painel.
Antes disso, o governo brasileiro tenta abrir outras frentes. A Folha informou que o ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, pretende negociar a revogação das tarifas durante a reunião do G20, marcada para 30 de setembro e 1º de outubro em Milwaukee.
Essa frente política importa porque a OMC costuma ter rito lento, enquanto exportadores sentem o custo de caixa de imediato. A pressão brasileira combina negociação diplomática, contestação jurídica e agenda econômica, caminho parecido ao que levou Lula a cobrar neutralidade dos EUA em fóruns internacionais.
Se a consulta não produzir acordo, o próximo passo concreto será o pedido de painel contra as tarifas. Até lá, empresas afetadas acompanham duas datas: a reunião de sexta-feira (25) em Genebra e a conversa no G20 na semana seguinte.





























