O Brasil e os Estados Unidos se reuniram nesta sexta-feira (25) na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, para discutir o tarifaço. A partir de agora, os dois países têm 60 dias para tentar um acordo, segundo o Itamaraty.

Pelo lado brasileiro, participaram os secretários do Ministério das Relações Exteriores (MRE) Philip Fox Gough, da área de Assuntos Econômicos, e Maurício Lyrio, de Clima e Meio Ambiente. É a primeira rodada de consultas do processo que o Brasil abriu em julho.

O Itamaraty confirmou a reunião, mas não deu detalhes além disso. O governo brasileiro já vinha sinalizando o encontro desta semana sobre o tarifaço. Para o governo, o encontro faz parte do rito formal de consultas previsto pela própria OMC.

O que os EUA questionam no Brasil

Os Estados Unidos aplicam duas sobretaxas aos produtos brasileiros: uma de 25%, por alegadas práticas desleais em áreas como o Pix, o desmatamento e a propriedade intelectual, e outra de 12,5%, ligada à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

O Brasil formalizou o pedido de consultas na OMC em 30 de julho. O país afirma que os EUA o tratam de forma diferente de outros parceiros comerciais e descumprem compromissos firmados com a entidade.

Os americanos responderam em 10 de agosto dizendo estar "à disposição" para conversar. Mas o governo brasileiro não vê, até agora, qualquer sinal de recuo no tarifaço por meio do processo na OMC.

No mesmo dia em que aceitaram as consultas, os EUA receberam um pedido da China para participar do processo. Pequim alegou ter interesse comercial substancial no caso.

A resposta veio dias depois. Os Estados Unidos barraram a participação chinesa no processo, alegando que a disputa do Brasil não trata de tarifas sobre produtos chineses.

O impasse já aparece nos números do comércio exterior. As exportações brasileiras aos Estados Unidos caíram 9,7% desde que o tarifaço passou a valer, segundo dado divulgado em setembro.

O que acontece agora

A partir desta sexta-feira, Brasil e EUA têm 60 dias para tentar um acordo sobre as tarifas. Esgotado o prazo sem consenso, qualquer um dos dois países pode pedir a abertura de um painel da OMC, que julga formalmente a disputa.

Não há data marcada para uma nova rodada de consultas.