O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou neste sábado (26) uma portaria que autoriza a criação de 19 unidades de institutos federais em 12 estados. A assinatura ocorreu em visita ao IFSP de Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo.

Lula não discursou no local. A comitiva visitou também as obras de um novo câmpus da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), no mesmo bairro.

Lula foi acompanhado pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini, e conversou com estudantes durante a passagem pelo IFSP, sem fazer pronunciamento público.

Por que Lula não discursou?

Lula não discursou porque a legislação eleitoral proíbe candidato de comparecer a inaugurações de obras públicas nos três meses anteriores ao pleito. A regra também veda o uso da estrutura de governo para propaganda.

Por isso, a atividade deste sábado foi formalmente tratada como agenda de governo, não como ato de campanha.

A cautela também apareceu na lista de ausentes. Lula não estava acompanhado de Fernando Haddad (PT), candidato ao governo paulista, nem de Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), as duas candidatas ao Senado por São Paulo.

Em setembro, os quatro já haviam dividido o mesmo palco em um ato único de campanha em São Paulo. Hoje a agenda era só de governo, e ficaram em silêncio.

No mesmo evento em que amplia a rede federal de ensino técnico (como fez em maio, ao criar a primeira universidade federal indígena do país), o presidente evitou qualquer fala pública. É o defeso eleitoral, em vigor desde julho, que explica o silêncio.

Ele reduz o espaço de Lula para aparecer ao lado de aliados em obra federal justamente na reta final da campanha, quando a exposição mais interessaria ao PT.

O que acontece agora

A portaria assinada neste sábado autoriza a criação das 19 unidades, mas não define ainda datas de funcionamento nem valores de investimento por estado.

A implantação de cada campus depende de etapas seguintes do Ministério da Educação, como estruturação física e abertura de vagas docentes.

A rotina de agenda partida entre governo e campanha deve se repetir até 3 de outubro, véspera da votação.