O Brasil abriu a 81ª Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22), com a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Nova York, nos Estados Unidos. Desde 1955, o país sempre fala primeiro no Debate Geral, seguido pelos Estados Unidos.
Segundo a ONU, a lista de oradores não segue ordem alfabética. Também não é por região nem por poder geopolítico. Depois do Brasil e dos EUA, o resto da fila combina o nível do representante, a data do pedido e o equilíbrio geográfico.
Por que o Brasil abre a Assembleia desde 1955?
O Brasil abre a Assembleia Geral da ONU desde 1955, porque nenhum país queria falar primeiro nos primeiros anos da organização. O Brasil se ofereceu, e a prática virou tradição, segundo relato do ex-chefe de protocolo Desmond Parker.
A sequência só foi quebrada em 1983 e 1984.
Parker, que comandou o protocolo da ONU, explicou à rádio pública americana NPR como a fila se forma depois do Brasil e dos Estados Unidos.
“A ordem efetiva é determinada pela precedência: chefes de Estado falam primeiro, seguidos por chefes de governo, vice-presidentes, príncipes herdeiros, ministros das Relações Exteriores e, na sequência, outros vice-ministros”, descreveu Parker.
Quem pede a palavra primeiro garante um horário mais cedo dentro da própria faixa de precedência, o que faz países correrem para se inscrever assim que a lista de oradores abre.
Os Estados Unidos falam sempre em segundo lugar por sediarem a sede da ONU em Nova York, o único critério fixo da lista além da abertura brasileira.
No discurso desta terça (22), Lula classificou este como o momento mais crítico das Nações Unidas.
Somos todos reféns de um imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel.
A frase resume a crítica do presidente ao colegiado responsável por decidir sobre paz e guerra no mundo. Na sequência, Lula também usou o discurso para defender o sistema de pagamentos Pix diante de pressões externas.
“Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros”, afirmou o presidente.
O presidente ainda defendeu cooperação internacional contra a lavagem de dinheiro do crime organizado e o fluxo de armas que o abastece. Ele também levou a defesa da soberania nacional ao discurso, sob o pano de fundo da relação com Trump.
A fala desta terça (22) veio dias depois de Lula ter articulado uma frente por reforma da ONU antes da abertura da Assembleia.
O que acontece agora
O Debate Geral segue com discursos de outros chefes de Estado até este sábado (26), com sessão extra na segunda-feira (28). O tema oficial deste ano é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
A sessão completa da Assembleia, iniciada em 8 de setembro, segue até setembro de 2027. Nesta semana, ministros das Relações Exteriores da Rússia e da Alemanha já confirmaram um encontro paralelo em Nova York.





























