Três empresários bilionários assumiram, nos últimos anos, o controle de três grandes clubes brasileiros: Rubens Menin no Atlético-MG, Pedro Lourenço no Cruzeiro e, agora, Marcos Lamacchia no Vasco da Gama, com a compra homologada pela Justiça do Rio nesta semana.

O caso mais recente é também o mais surpreendente pelos laços de família: Lamacchia é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, clube que disputa a Libertadores e pode enfrentar o Vasco no Brasileirão.

Quem é o novo dono do Vasco?

Marcos Lamacchia, de 47 anos, venceu o leilão judicial que arrematou 90% da SAF do Vasco por meio da empresa Almirante Participações e Empreendimentos. A 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio homologou o negócio em 25 de setembro.

O compromisso financeiro soma R$ 2 bilhões, entre passivos assumidos e pagamentos a credores da recuperação judicial do clube. Desse total, R$ 500 milhões vão exclusivamente para o departamento de futebol, em cinco parcelas anuais até 2030.

Lamacchia tem fortuna estimada em R$ 17 bilhões. É CEO e cofundador da gestora Blue Star Asset e neto do banqueiro Aloysio de Andrade Faria, que já esteve na lista de bilionários da Forbes.

Quem mais comprou clube no Brasil?

Rubens Menin, fundador da construtora MRV, já é acionista oficial do Atlético-MG. No Cruzeiro, quem assumiu o controle foi Pedro Lourenço, o Pedrinho, dono de uma rede de supermercados que fatura R$ 26 bilhões por ano em Minas Gerais e no Espírito Santo.

Pedro Lourenço, de 70 anos, comprou a SAF do Cruzeiro de Ronaldo Fenômeno em 2024, mas já vinha do clube desde a era dos irmãos Perrella: emprestou R$ 6 milhões em 2015 para a contratação do meia Arrascaeta, junto ao Defensor, do Uruguai.

O modelo é diferente do que o futebol brasileiro viveu com antigos patrocinadores como a Parmalat, no Palmeiras, ou a ISL, no Flamengo: aquelas marcas bancavam contratações, mas não assumiam a gestão dos clubes por completo, como fazem os novos donos.

O que acontece agora

No Vasco, o cronograma prevê os primeiros aportes de R$ 100 milhões ainda em 2026, com o clube tentando escapar da parte de baixo da tabela. A Justiça já havia homologado a venda da SAF nesta sexta-feira (25).

O Vasco ainda carrega dívidas represadas que a nova SAF terá de equacionar.

No Cruzeiro, Pedro Lourenço segue como credor da associação, com mais de R$ 28 milhões a receber na recuperação judicial, o que mantém a fronteira entre seus interesses como dono da SAF e como cruzeirense histórico.