O chanceler da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou neste sábado (26), na Assembleia Geral da ONU, que Moscou apoia conceder ao Brasil um assento permanente no Conselho de Segurança, ao lado da Índia, mas rejeita vagas para Alemanha e Japão, dois parceiros do país no G4.

“A reforma não pode envolver nenhum assento adicional para o Ocidente, especialmente para Alemanha e Japão”, disse Lavrov.

Na Assembleia, o chanceler russo defendeu ampliar a presença asiática, africana e latino-americana no órgão da ONU responsável por paz e segurança. Ele também criticou a expansão da Otan, afirmando que a aliança viola o princípio da segurança igual e indivisível.

O Brasil integra o G4 desde 2004, ao lado de Alemanha, Índia e Japão. Em 2005, o grupo propôs expandir o Conselho para 25 membros, com seis novos assentos permanentes.

Os seis assentos previstos seriam dois para a África, dois para a Ásia, um para a Europa Ocidental e um para a América Latina e o Caribe. O apoio de Lavrov separa Brasil e Índia dos parceiros ocidentais do G4.

Buscar um assento permanente é um dos objetivos mais antigos da diplomacia brasileira, defendido pelo Itamaraty desde a fundação da ONU. É a primeira vez que Moscou apoia publicamente um país do Brics para a vaga.

Rússia e China são, entre os cinco membros permanentes do Conselho, os países que historicamente mais resistem à reforma. O presidente Lula lançou uma frente de países para pressionar pela reforma da ONU antes da abertura da Assembleia Geral.

Dias depois, o chanceler Mauro Vieira se reuniu com o próprio Lavrov à margem do encontro em Nova York para tratar das eleições brasileiras.

Na mesma Assembleia, o Brasil já havia sido poupado de críticas diretas: Trump não citou o país em seu discurso, o que o Planalto tratou como alívio.

O ponto em aberto

A oferta russa reabre uma tensão que o G4 carrega desde a formação. Dividir o apoio a Brasil e Índia dos assentos de Alemanha e Japão enfraquece a estratégia conjunta dos quatro países.

Fica em aberto se o Itamaraty vai tratar o gesto de Moscou como avanço isolado ou recusar qualquer reforma que rache o próprio grupo que o Brasil ajudou a criar.