A Justiça de Minas Gerais determinou a interdição imediata do poço principal da Cachoeira do Tabuleiro, em Conceição do Mato Dentro, na Região Central do estado, seis dias depois de o principal atrativo do Parque Natural Municipal do Tabuleiro ser reaberto à visitação. A decisão foi divulgada neste sábado (25) e atende a um pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
Além de suspender o acesso ao poço, a ordem judicial manda isolar um raio de 500 metros ao redor da queda d'água, com barreiras físicas e placas de proibição. Só equipes técnicas autorizadas podem entrar na área, para atividades de monitoramento e manutenção. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 1 mil, limitada inicialmente a R$ 10 mil.
O que o Ministério Público alega
Segundo o MPMG, o município não implementou integralmente as medidas previstas no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em dezembro de 2025 — entre elas, a instalação de monitoramento sísmico e de estação meteorológica no local. O órgão sustenta ainda que a certificação de segurança apresentada contemplaria apenas o trecho onde houve intervenção direta, sem abranger toda a extensão do paredão rochoso.
Ao acolher o pedido, a Justiça avaliou que persistem riscos geológicos e hidrológicos capazes de comprometer a integridade física dos visitantes, e condicionou qualquer nova reabertura ao cumprimento integral do acordo e à certificação técnica das condições de segurança de todo o paredão.
A prefeitura de Conceição do Mato Dentro afirma que a reabertura foi feita após avaliação técnica e diz estar comprometida com o monitoramento permanente do local e com o cumprimento das obrigações judiciais. Não há, até o momento, prazo para uma nova liberação do poço.
Cinco anos de fechamento e uma reabertura de seis dias
O acesso ao poço principal estava proibido desde 25 de junho de 2021, quando houve o desprendimento de um fragmento rochoso do paredão. Laudos posteriores identificaram uma fissura transversal de cerca de 10 metros de extensão, e sucessivos pareceres técnicos mantiveram o alerta de risco de queda de blocos.
Depois do TAC de dezembro de 2025, o município executou diagnóstico geológico-estrutural, estudos hidrológicos, sinalização reforçada e rotas de fuga, com proibição do uso de explosivos nas intervenções. Com isso, o parque liberou o poço em 19 de julho de 2026, sob regras rígidas: teto de 450 visitantes por dia, ingresso de R$ 10, funcionamento das 8h às 17h, acesso ao poço permitido até as 14h e entrada condicionada a condições climáticas favoráveis. Esportes de aventura como rapel, escalada e slackline dependiam de autorização prévia.
Com 273 metros de queda, a Cachoeira do Tabuleiro é a mais alta de Minas Gerais e a terceira maior do Brasil. O poço, de cerca de 20 metros de profundidade, e o formato de coração desenhado pelo paredão fizeram do lugar um dos cartões-postais mais fotografados do estado. A trilha de acesso, de aproximadamente 3 km a partir da portaria do parque, leva cerca de 1h30 de caminhada.
O fechamento volta a atingir a economia do distrito do Tabuleiro, a 19 km do centro de Conceição do Mato Dentro, onde pousadas, restaurantes e guias dependem do fluxo de turistas atraídos pela cachoeira em plena alta temporada de julho.













