O maior gasto das campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo é com marqueteiros. Tarcísio pagou R$ 4,5 milhões à agência de Pablo Nobel; Haddad, R$ 6,5 milhões à de Otávio Antunes.

Os pagamentos aos marqueteiros representam 19% das despesas já feitas por Tarcísio e 53% dos gastos de Haddad até aqui, de acordo com a prestação de contas parcial enviada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A discriminação mais recente dos gastos, divulgada em 17 de setembro, detalha onde cada campanha aplica o dinheiro contratado:

Gastos de campanha contratados por categoria — declarados ao TSE, conferido em 17/09/2026
CategoriaTarcísioHaddad
Marketing digital e publicidadeR$ 10 milhões
Produção de rádio, TV e vídeoR$ 3,9 milhõesR$ 7,9 milhões
Serviços advocatíciosR$ 3,7 milhõesR$ 1,8 milhão
Impulsionamento de conteúdoR$ 1,7 milhãoR$ 1,3 milhão
Táxi aéreo / SegurançaR$ 650 mil (táxi aéreo)R$ 300 mil (segurança)

Tarcísio concentra a maior fatia em marketing digital e publicidade. Haddad investe mais em produção de conteúdo para rádio, TV e vídeo, que soma 64,3% de tudo o que ele já contratou.

Quanto os dois ainda podem gastar até o 1º turno?

O teto de gastos definido pelo TSE para o primeiro turno da disputa ao governo de São Paulo é de R$ 26,6 milhões, e nenhum dos dois candidatos chegou perto do limite mesmo com a campanha já avançada.

Tarcísio declarou R$ 23,1 milhões em despesas contratadas, dos quais R$ 12,7 milhões já pagos. Haddad declarou R$ 12,2 milhões.

As receitas revelam modelos opostos de financiamento. Tarcísio recebeu R$ 19,1 milhões até agora, dos quais R$ 7,8 milhões vieram de doações de pessoas físicas, 40,9% do total arrecadado.

Haddad captou R$ 16 milhões, quase todos do fundo partidário. As doações de pessoas físicas somaram apenas R$ 15 mil na campanha do petista. Enquanto o governador soma apoio direto de doadores individuais, o petista depende quase inteiramente do caixa do PT.

Disparidade parecida se repete Brasil afora: em Minas Gerais, o líder nas pesquisas ao governo arrecadou 22 vezes menos que o principal concorrente.

O contraste entre os dois marqueteiros também é histórico. Nobel e Antunes, hoje em lados opostos, trabalharam juntos na campanha presidencial de Lula em 2002, sob o comando de Duda Mendonça.

Antunes seguiu como referência nas equipes petistas, enquanto Nobel migrou para outros campos. Hoje ele também comanda o marketing dos candidatos ao Senado por SP Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).

Trocar de marqueteiro no meio da corrida já rendeu dor de cabeça a outros candidatos nesta eleição. O presidenciável Augusto Cury (Avante) trocou de marqueteiro na primeira semana de propaganda eleitoral.

O presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) viu seu marqueteiro deixar a campanha depois de uma virada de tom contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Tarcísio também manteve o operador financeiro de 2022: o cunhado Maurício Pozzobon Martins, que já recebeu R$ 120 mil da campanha atual, mais que o dobro dos R$ 60 mil pagos a ele havia quatro anos.