A União Europeia pediu à China que limite voluntariamente a exportação de veículos híbridos ao mercado europeu, como parte de um acordo para evitar uma guerra comercial. A proposta prevê reduzir a fatia chinesa de mais de um terço para cerca de 15% do mercado.

As importações europeias de híbridos chineses saltaram de 3.800 unidades em outubro de 2024 para cerca de 50.000 em julho de 2026, mais de dez vezes em menos de dois anos, segundo a proposta europeia.

O segundo choque vindo da China chegou.

A frase é da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Ela afirmou que o bloco vai usar todos os instrumentos ao seu dispor para reequilibrar a relação com Pequim.

Um funcionário europeu, não identificado, foi direto. Se a China não limitar as exportações para o mercado europeu, o bloco vai limitar por conta própria.

O déficit comercial da União Europeia com a China soma cerca de 1 bilhão de euros por dia, segundo a proposta apresentada por Bruxelas. É esse desequilíbrio que sustenta a ameaça de limitar as importações por decreto, caso o acordo voluntário não avance.

A fórmula que a UE propõe à China não é nova. Em 1986, o Japão aceitou limitar voluntariamente suas exportações de automóveis para a Europa, acordo que vigorou até 1999.

Como o Brasil enfrenta a mesma pressão da China

O Brasil vive um dilema parecido, mas escolheu o caminho da tarifa, não do acordo voluntário. Desde 1º de julho, a importação de elétricos e híbridos chineses já montados paga 35% de imposto de importação, tarifa que era de 20% em 2025.

A BYD, que domina 77% do mercado de carros 100% elétricos no país, recebeu uma cota especial de US$ 463 milhões com tarifa zero por seis meses. Ainda assim, o preço dos modelos híbridos da marca já subiu 11% em duas semanas.

O efeito chega até o mercado de usados. A chegada de modelos chineses já derruba o preço dos compactos usados no Brasil, mostrou a TV Sim Brasil nesta semana.

O que acontece agora

As negociações decisivas entre UE e China estão marcadas para outubro, em Pequim. Bruxelas também quer que Pequim compre mais produtos europeus e propõe restrições semelhantes para produtos químicos.

Sem acordo até lá, a União Europeia já sinalizou que pode agir sozinha, como fez em 2024 ao impor tarifas de até 45% sobre os elétricos chineses. No Brasil, mais 4 marcas chinesas devem chegar ao país até 2028.