A crise pública entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reflete uma degradação institucional que se acumula há anos, avalia Christopher Garman, diretor-executivo da consultoria de risco político Eurasia Group, que assessora grandes investidores estrangeiros e bancos internacionais sobre riscos no Brasil.
No fundo, o que essa crise também está revelando é que nós estamos vendo uma degradação institucional que vem se avolumando há anos.
Garman afirmou isso ao boletim WW, da CNN Brasil, nesta semana. Um dos pontos centrais citados por ele é a prática crescente de familiares de ministros do STF e de outros tribunais superiores que atuam como advogados em causas levadas a essas mesmas cortes.
"Eu escuto cada vez mais relatos dos nossos clientes de que cresce a percepção de que, para ter acesso aos tribunais, é necessário contratar um escritório de advocacia de algum familiar de um ministro do Tribunal Superior", relatou Garman.
Para ele, essa dinâmica prejudica o ambiente de negócios do país. Garman classificou o cenário como um "ambiente permissivo para trocas e relações não republicanas".
O lado exposto pela crise, segundo a consultoria
Apesar do desgaste, Garman vê um efeito colateral positivo na crise: ao tentar minar a credibilidade um do outro, os próprios ministros acabam expondo práticas que precisam ser corrigidas, segundo o analista.
"Você acaba expondo práticas que precisam ser corrigidas", concluiu. No Congresso, a reação já apareceu: senadores da oposição já articulam um projeto sobre o mandato de ministros do STF, hoje vitalício, para limitá-lo a até dez anos.
A crise tem origem nos desdobramentos do caso do Banco Master, que expôs suspeitas de relações entre investigados e integrantes do Judiciário. Uma decisão do ministro Flávio Dino travou parte das apurações internas sobre o tema.
O que acontece agora
Garman avalia que o risco de novos vazamentos de investigações aumenta à medida que o país se aproxima da eleição presidencial de outubro. "O potencial de mais vazamentos é alto", disse o analista, citando múltiplas fontes com acesso a apurações em andamento.
Ainda assim, o próprio Garman pondera que o efeito sobre o resultado da corrida presidencial tende a ser menor do que parece.
"Novas denúncias não têm um impacto tão enorme quanto no passado", afirmou, acrescentando que o efeito é mais o de reforçar o pessimismo geral do eleitor do que o de derrubar candidaturas.
A avaliação da Eurasia se soma à de outros analistas. Um pesquisador já havia dito que o STF caminha para uma "fissura insolúvel" se a disputa interna não for contida.
O ministro André Mendonça, um dos citados na crise, afirmou nesta semana não ter "nada a temer".


























