O livro “Como Domar a Dopamina”, do físico americano Michael E. Long, promete ensinar o leitor a reduzir vícios em compras, pornografia, redes sociais, jogos e notícias. Lançado pela Sextante em 2025, é o segundo título do autor sobre o tema.

O título anterior de Long sobre o tema foi “Dopamina: a molécula do desejo”, de 2023. O novo livro explica o papel da dopamina nos hábitos, com o objetivo de ensinar o leitor a desviar o foco de atividades que podem virar problema.

A base do método é o que Long chama de jejum de dopamina. O tema ecoa debates recentes sobre o vício digital entre jovens nas grandes plataformas.

Como funciona o método do livro

Segundo Long, é impossível fugir da dopamina, “a menos que você esteja inconsciente”, mas é possível reduzir tipos problemáticos de estimulação. Ele compara o processo à musculação: esforço abrupto demais gera dor, então o corte precisa ser gradual.

O autor sugere substituir hábitos como vídeos no TikTok por leitura, ou o tempo de videogame por uma conversa presencial. “É melhor fazer uma caminhada todos os dias do que uma corrida pesada uma vez por semana”, compara.

Depois da redução gradual, o conselho de Long é radicalizar. Eliminar o impulso de vez, como deletar o aplicativo, funcionaria melhor do que tentar usá-lo com moderação.

Ele prefere o termo “revitalização de dopamina” a “jejum”. “Não se trata de eliminar todos os prazeres, mas de trocar a estimulação bruta pela apreciação das sutilezas”, escreve.

O que a ciência diz sobre o jejum de dopamina

O conceito de jejum de dopamina não é exclusivo do livro de Long. Ele ganhou popularidade a partir de 2019, mas carece de ensaios clínicos que comprovem sua segurança e eficácia.

Anna Lembke, professora da Stanford University School of Medicine e autora do livro “Dopamine Nation”, explica que o excesso de recompensas de baixo esforço dessensibiliza o sistema de dopamina, levando a pessoa a buscar cada vez mais estímulo para sentir o mesmo prazer.

Já Anne-Noël Samaha, pesquisadora da Universidade de Montreal, é mais direta. Segundo ela, não é possível ter um dia sem dopamina, porque a molécula não evoluiu para reagir especificamente a hábitos modernos como redes sociais.

Samaha afirma que a dopamina não é uma toxina a ser eliminada, mas um neurotransmissor que existe para manter o corpo vivo, neutro na maior parte das situações do cotidiano.

Não há, segundo a reportagem que ouviu as pesquisadoras, evidências diretas de que hábitos como o uso de redes sociais reconfigurem o cérebro do mesmo modo que o abuso de drogas.

O que acontece agora

Long também trata a paixão inicial como uma atividade dopaminérgica no livro. A dica para quem quer avaliar uma atração é perguntar “o que de fato essa pessoa tem de tão atraente”.

Depois, o leitor deve comparar com relacionamentos antigos e anotar como se sente na ausência da pessoa, para entender se a atração é por ela ou por um padrão repetido.