Minas Gerais foi o único estado em que a liderança mudou do 1º para o 2º turno, decidindo a reeleição de Lula (PT). O petista perdia por 588,6 mil votos no estado em outubro e venceu, dia 25, por 109,3 mil, segundo o Valor.

O resultado surpreende porque Lula não teve palanque estadual. O governador eleito, Cleitinho Azevedo (Republicanos), venceu já no 1º turno e não declarou apoio ao petista.

No 1º turno, Flávio Bolsonaro (PL) liderou em Minas com 5,77 milhões de votos (48,24%), contra 5,18 milhões de Lula (43,33%). No 2º turno, o petista somou 6,35 milhões (50,43%), contra 6,24 milhões do senador (49,57%).

Do 1º para o 2º turno, Lula ganhou 1,16 milhão de votos no estado. Flávio somou 464,2 mil no mesmo período, menos de um terço do avanço do petista. O crescimento de Lula foi generalizado, em todas as regiões de Minas.

Houve virada em 76 municípios mineiros.

O avanço foi mais forte no Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas e na Zona da Mata.

O que explica a virada mineira?

A campanha de Lula atribui o resultado à combinação de retomada das ruas, mobilização nas redes e trabalho de corpo a corpo nos municípios. Cada deputado, eleito ou não, ficou responsável por atuar na região onde tinha mais votos no 1º turno.

Nós fizemos um trabalho muito intenso em Minas. Em cada região do Estado, cada pessoa ficou responsável por uma coisa. Nós ficamos muito bem organizados, disse a deputada federal eleita Ana Elisa (PT).

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, teve papel central na articulação com prefeitos do estado, aproveitando sua relação próxima com as prefeituras. Um núcleo mineiro também ganhou peso na estratégia digital da campanha no 2º turno.

As ruas tiveram papel declarado pela própria campanha. Lula estreou a campanha mineira com um comício em Governador Valadares, ainda em agosto.

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Quem é culpado pela derrota de Flávio em Minas?

Do lado da campanha de Flávio, há busca por culpados pela derrota no estado. Interlocutores acusam Cleitinho e o vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), de pouco empenho na campanha presidencial.

Uma ala bolsonarista considera que houve falhas em decisões de campanha tomadas pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O estado que decidiu a eleição nacional é o mesmo em que o bolsonarismo agora busca explicações para a derrota.

A frase que resume o resultado já circulava antes da eleição. Minas historicamente costuma prever quem vence a corrida presidencial, e o estado confirmou a máxima mais uma vez em 2026.