Entre 5 de setembro e 26 de outubro, a Polícia Civil de São Paulo encontrou 20 corpos descartados em sacos pelo estado. Três suspeitos já foram presos e outros sete identificados, mas a corporação descarta autor em comum entre os casos.

"Cada caso exige uma apuração própria, com análise dos vestígios, imagens, depoimentos e demais elementos de prova"

A frase é da diretora do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa), Ivalda Aleixo, ao descartar a hipótese de um serial killer. Segundo ela, a identificação dos suspeitos "representa um avanço importante", mas o trabalho segue até esclarecer todas as circunstâncias.

O que liga, e o que não liga, os 20 casos

Os 20 corpos foram achados em ocorrências investigadas como homicídio: 15 na capital e 5 na região metropolitana, em Itapecerica da Serra, Embu das Artes, São Bernardo do Campo e Diadema.

São mortes ligadas a crimes diversos, como tráfico e roubo, com transporte e abandono do corpo após a execução. Para a polícia, o uso de sacos não é um padrão que liga os crimes: é só um método de descarte recorrente, não uma assinatura.

A série começou em 23 de outubro, quando a SSP pediu a prisão de 10 suspeitos ligados a 17 corpos. Desde então, mais 3 corpos foram registrados, e os primeiros suspeitos deixaram de ser procurados para serem presos.

O número que explica o caso: a violência que não aparece nas estatísticas

São Paulo teve, em 2024, a menor taxa de homicídios do Brasil: 6,6 por 100 mil habitantes, bem abaixo da média nacional de 20,1, segundo o Atlas da Violência 2024. O estado é, pelos números oficiais, um dos lugares mais seguros do país.

Casos como o dos corpos em sacos, porém, entram numa categoria que cresce à parte da taxa de homicídio: as Mortes Violentas por Causa Indeterminada.

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Segundo o mesmo levantamento, elas subiram 23,8% no Brasil em um ano, somando 17.207 casos, dos quais 41% são classificados como homicídio oculto.

É nessa categoria que mortes com causa não esclarecida de imediato, como as de São Paulo, tendem a entrar primeiro — antes de a perícia, ou a prisão de um suspeito, confirmar que houve crime.

O ponto em aberto

A Polícia Civil não divulgou os laudos periciais das 20 mortes, e as vítimas não apresentavam sinais externos de violência. O desafio não é achar um serial killer que não existe: é saber quantas mortes assim, pelo país, nunca viram um número confiável de homicídio.