A Polícia Federal encontrou uma sala secreta, escondida atrás de um painel de madeira, em um hangar do Aeroporto de Brasília usado pelo advogado Willer Tomaz, amigo do candidato Flávio Bolsonaro (PL). A descoberta integra a Operação Sem Desconto, que apura fraude no INSS.
Na sala, agentes encontraram prateleiras, malas e uma máquina de contar dinheiro. Não havia dinheiro em espécie no local no momento da diligência, segundo a CNN Brasil. A entrada tinha porta aparentemente blindada.

A PF chegou ao local em agosto, após denúncia anônima sobre a existência do espaço escondido. A diligência fez parte de uma fase da Operação Sem Desconto realizada em 7 de agosto; a operação, que apura fraude no INSS, está em curso desde maio.
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos hangares 36 e 37 do aeroporto. A PF apreendeu quatro aeronaves, sendo dois helicópteros e dois aviões, além de listas de passageiros e diários de bordo.
O ministro André Mendonça, do STF, autorizou as buscas e a quebra de sigilo de dados telefônicos nessa fase da operação, que apura fraude contra aposentados e pensionistas do INSS.
Investigadores apontam movimentação de R$ 130 milhões nas contas de Tomaz entre março e maio do ano anterior, valor que classificam como incompatível com as atividades econômicas conhecidas do advogado.
Em nota, a defesa de Tomaz disse que a sala-cofre e os equipamentos integram a estrutura operacional usada para atender empresas de transporte de valores e clientes das empresas de aviação dele, com protocolos de segurança, controle e custódia.
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Causa perplexidade que a própria Polícia Federal, responsável pela fiscalização do setor de segurança privada, pretenda transformar equipamentos associados a uma atividade lícita em suspeita criminal. Atribuir conotação criminosa a essas instalações, sem qualquer prova, é uma tentativa irresponsável de fabricar suspeitas onde não existem fatos.
A nota da defesa ainda chama de "fantasiosa e beira o ridículo" a insinuação de que as instalações guardariam dinheiro de origem ilícita.
A estrutura foi montada para guardar e contar dinheiro, mas não havia nenhuma cédula no local quando a PF chegou.
O nome de Flávio Bolsonaro aparece no caso porque o celular de Tomaz tinha fotos dos dois juntos, em festas, encontros e reuniões, segundo a CNN Brasil. O senador não é investigado nesta apuração.
Não é a primeira vez que fotos ligadas a Tomaz miram parlamentares: em agosto, a PF já havia achado uma foto de Arthur Lira e Alexandre Ramagem com o advogado, sem que os dois fossem alvo da investigação.
A Operação Sem Desconto apura descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS desde maio. Em julho, a PF já havia identificado um sobrado no DF usado para lavar R$ 304 milhões desviados de aposentados.
O que acontece agora
A Polícia Federal segue analisando o material apreendido nos hangares, incluindo listas de passageiros e diários de bordo, para identificar quem usava as aeronaves de Willer Tomaz nos serviços de táxi aéreo que ele oferecia.





























