O memorial do Clube da Esquina, no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte, foi vandalizado na madrugada desta sexta-feira (23), com tinta vermelha jogada sobre placas em homenagem ao movimento musical mineiro. A Polícia Militar (PMMG) foi acionada para apurar o caso.

Moradores suspeitam de motivação política, depois de relatos de gritos de "Fora Lula" na região, a dois dias do 2º turno das eleições. Não há, porém, provas de que o ataque tenha essa motivação.

Câmeras de segurança de imóveis vizinhos registraram um carro parando perto do memorial. Nas imagens, uma pessoa aparece com um pote de tinta e joga o conteúdo sobre as placas, segundo a professora Graziela Viana, que coordena projeto para tornar o espaço patrimônio cultural.

À TV Globo, Graziela disse: "a gente não sabe se tem conotação política, porque foram ouvidos 'Fora Lula'".

O memorial fica no cruzamento das ruas Divinópolis e Paraisópolis, ponto de encontro do Clube da Esquina, movimento musical surgido em Belo Horizonte entre as décadas de 1960 e 1970, que reuniu Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Márcio Borges.

Yê Borges, irmão de Lô Borges, lamentou o ataque à TV Globo: "para mim é muito difícil. Vi nascer o Clube aqui na esquina. A gente jamais poderia imaginar que viraria referência no mundo. É muito triste, a violência não pode tomar conta das pessoas".

Yê também pediu que o episódio não vire pretexto para mais violência: "vote em quem você quiser, mas não precisa agredir ninguém. Não precisamos chegar a essas vias de fato, isso é péssimo para a sociedade", disse.

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O ataque ocorre a três dias do aniversário de 84 anos de Milton Nascimento, que o completa nesta segunda-feira (26). O espaço também guarda a memória de Lô Borges, morto em novembro de 2025, aos 73 anos.

Na prática, o vandalismo atinge um símbolo da cultura mineira na mesma semana do 2º turno e do aniversário de Milton.

Lô Borges foi homenageado neste ano pela Assembleia Legislativa, que criou a Medalha Lô Borges para reconhecer a música mineira.

Em julho, Milton Nascimento recuperou na Justiça os direitos patrimoniais de "Travessia", 59 anos depois de compor a canção.

O grupo de teatro musical Cobra Coral também homenageou clássicos do Clube da Esquina em um novo espetáculo neste ano.

O que acontece agora

A PCMG, procurada pelo Metrópoles, ainda não informou se vai investigar o caso.