O número de candidaturas a deputado federal caiu de 10.622, em 2022, para 7.628 em 2026, uma queda de 28%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. O total de partidos na disputa também recuou, de 32 siglas em 2022 para 28 neste ano.

Parte da redução vem de fusões: PTB e Patriota deram origem ao PRD, o PROS foi incorporado ao Solidariedade, e o PSC passou a integrar o Podemos.

O que mudou nas regras

A queda reflete duas mudanças nas regras eleitorais: o fim das coligações em eleições proporcionais e o avanço da cláusula de barreira, em vigor desde 2018.

Pela regra de 2026, o partido precisa eleger ao menos 13 deputados federais ou atingir 2,5% dos votos válidos nacionais, com pelo menos 1,5% em cada estado, distribuídos em um terço das unidades federativas, para ter acesso pleno ao fundo partidário e ao tempo de TV.

Isso muda o cálculo de cada partido na hora de decidir onde lançar candidato e com quem se aliar, para garantir votos suficientes.

Um sistema mais claro ou mais fechado?

Para o cientista político Jairo Nicolau, da FGV-CPDOC, a redução da fragmentação partidária tem efeito positivo no funcionamento do sistema político. Com menos partidos relevantes, o eleitor tem mais facilidade para identificar lideranças e posições ideológicas.

Sérgio Praça, da Universidade Federal de Alfenas, avalia que a tendência é os partidos com mais cadeiras atraírem mais deputados. Para ele, a exigência da cláusula de barreira pode obrigar partidos de bancada pequena e apelo ideológico forte, como PSOL e Novo, a se adaptar no médio prazo.

Já Mayra Goulart, da UFRJ, aponta o lado mais restritivo da mudança. Para ela, a cláusula de barreira faz a candidatura de baixa competitividade deixar de ser inofensiva e passar a ser prejudicial ao partido.

Isso leva as siglas a selecionar com mais rigor, dificultando a entrada de candidatos novos, a não ser que já cheguem com popularidade própria.

Na prática, a redução favorece quem já tem mandato: deputados em exercício concentram o apoio dos partidos diante da nova régua da cláusula de barreira, segundo o TSE. Parte dos registros de candidatura ainda está em análise pela Justiça Eleitoral.

O que fica em aberto para o eleitor

A régua da cláusula de barreira é a mesma desde 2018, mas 2026 é a primeira eleição em que ela se combina com o fim total das coligações proporcionais.

Os cientistas ouvidos discordam sobre o resultado: um vê mapa partidário mais claro, outra vê porta mais estreita para quem chega agora.

Fica em aberto se a concentração em nomes já conhecidos, apontada pelo TSE, se repete nas eleições municipais de 2028 e 2032, ou se é um efeito passageiro desta transição de regras.