O Ibovespa fechou nesta quinta-feira (20) em alta de 0,03%, aos 167.888,99 pontos, no segundo pregão seguido de ganhos depois de romper, na quarta (19), uma sequência de 11 quedas consecutivas, a mais longa em três anos. O impulso do dia veio da Petrobras, cujas ações preferenciais subiram 2,78% com a disparada do petróleo no exterior.
Por que o petróleo subiu
O barril do WTI avançou 2,33%, a US$ 87,83, e o Brent subiu 2,36%, a US$ 93,78.
A alta acompanha o anúncio do governo Trump de uma campanha de pressão econômica contra o Irã, que ameaça com tarifas secundárias os países que mantiverem relações comerciais com o regime iraniano.
O dólar comercial fechou a R$ 5,176, recuo de 0,87%, acompanhando o enfraquecimento global da moeda americana.
A recuperação da bolsa brasileira também segue apoiada em outra decisão dos Estados Unidos. O Tesouro americano ampliou as operações de recompra de títulos públicos de longo prazo, de um mínimo de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação.
A mudança veio depois que o rendimento do título de 30 anos chegou a 5,34%, o maior nível em 19 anos. A medida aliviou os juros longos americanos e devolveu apetite por mercados emergentes como o brasileiro.
Foi essa intervenção que, na quarta, tirou o Ibovespa de 11 pregões seguidos no vermelho, a mais longa sequência de perdas em três anos, e o levou a fechar em alta de 0,90%, aos 167.830,27 pontos.
Apesar dos dois pregões positivos, o índice ainda acumula queda de 5,71% em agosto. Para Gilberto Coelho, analista da XP, o quadro técnico segue negativo.
"Abaixo dos 166.300 poderia buscar suportes nos 160.000 ou 155.000", disse, apontando a resistência do índice nos 170.340 e nos 180.500 pontos.
O que ainda pesa contra a bolsa
A incerteza eleitoral continua pressionando os ativos brasileiros. Agosto registrou saída de capital estrangeiro, e o gasto público consumiu o ganho extra de receita gerado pela alta do petróleo, o que mantém acesa a preocupação com o déficit orçamentário.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, abriu conversas com economistas críticos à gestão atual, como Armínio Fraga e Pedro Malan, para discutir o corte de privilégios em aposentadorias.
Enquanto isso, os juros cobrados das famílias seguem altos mesmo com a Selic em queda, o que também limita o fôlego da economia interna.
Dois dias de alta não apagam o mês negativo
A pergunta que fica é se a recuperação resiste quando passar o efeito da intervenção do Tesouro americano.
Com o índice ainda 5,71% negativo em agosto e a resistência técnica apontada pela XP nos 170.340 pontos, o teste real vem nos próximos pregões, quando o mercado volta a olhar para o risco fiscal e eleitoral doméstico.


























