Um colapso de gelo em uma montanha no Tibete provocou uma enchente repentina que devastou o vale do rio Trishuli, na fronteira entre Nepal e China, na madrugada de quarta-feira (26). O desastre já matou 157 pessoas no Nepal e três na China, e deixou mais de 500 desaparecidos, a maior parte turistas estrangeiros.

Segundo o Departamento de Meteorologia e Hidrologia do Nepal, um bloco de gelo se desprendeu de uma montanha no Tibete e formou uma barragem temporária no rio Lhende. A barragem rompeu horas depois e arrasou vilarejos ao longo do Trishuli.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) descartou a hipótese inicial de um terremoto como gatilho.

As áreas mais atingidas ficam nos distritos de Rasuwa e Nuwakot, às margens do rio Bhotekoshi, além da região de Trishuli Bazar e dos arredores do Parque Nacional de Langtang. No distrito de Chitwan, mais ao sul, a enchente já deixou 33 mortos.

Estradas, pontes, redes de telefonia e a usina hidrelétrica do projeto de Trishuli foram destruídas pela força da água.

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, mobilizou 1.697 militares para as buscas e mantém outros 656 em prontidão. Seis helicópteros do Exército já resgataram 94 pessoas, e outras 12 foram salvas por civis que se organizaram nas comunidades ribeirinhas.

Shah disse estar "em choque e profundamente abalado" com a tragédia, que classificou como "repentina" e "de grandes proporções", em pronunciamento oficial.

Entre os desaparecidos, a maior parte é de turistas que estavam na região no momento do rompimento da barragem. As buscas registram a ausência de 133 indianos, 54 americanos e 53 ucranianos, além de britânicos, malaios, sul-africanos e nepaleses.

Na China, outras 265 pessoas seguem sem paradeiro conhecido no lado tibetano da fronteira.

O presidente chinês, Xi Jinping, determinou um esforço de resgate total e o reforço dos sistemas de alerta antecipado para o rio. A Índia, por sua vez, enviou dez toneladas de ajuda humanitária ao Nepal.

Itamaraty não registra brasileiros entre as vítimas

Em nota, o Itamaraty informou que não há, até o momento, registro de brasileiros entre as vítimas. O órgão afirmou acompanhar a situação pelas embaixadas em Katmandu e Pequim, e expressou solidariedade às famílias das vítimas e aos governos do Nepal e da China.

Para brasileiros na região, o Itamaraty divulgou três telefones de emergência: a embaixada em Katmandu, a embaixada em Pequim (que atende o Tibete) e o plantão consular em Brasília. Quem estiver na área e sem contato com a família pode acionar qualquer um dos números.

O presidente Lula também se manifestou sobre a tragédia nas redes sociais. Disse ter recebido "com muita tristeza" as notícias e que as imagens do desastre "causam espanto", em mensagem de solidariedade aos governos do Nepal e da China e aos atingidos.

O que acontece agora

As buscas por sobreviventes continuam nos dois lados da fronteira, com o número de desaparecidos ainda sujeito a revisão à medida que equipes alcançam vilarejos isolados pela destruição de estradas e pontes.

O Nepal ainda não divulgou prazo para a reconstrução da usina hidrelétrica de Trishuli nem das vias destruídas na região montanhosa.