O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta segunda-feira (24) que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 será enviado ao Congresso com salário mínimo projetado em R$ 1.741. O valor é R$ 120 maior que o piso de 2026, aumento nominal de 7,4% e ganho real de 2,4% acima da inflação.
A conta do governo usa o INPC acumulado em 12 meses até novembro do ano anterior, mais o crescimento do PIB de dois anos antes. É a fórmula que rege o reajuste do mínimo desde a retomada da política de valorização.
O resultado final só fica definido perto da votação do Orçamento, porque depende de indicadores de inflação que ainda vão sair.
Essa já é a segunda revisão para cima da estimativa de 2027. Em julho, a equipe econômica trabalhava com R$ 1.717.
A diferença de R$ 24 apareceu porque o INPC acumulado veio mais alto do que o previsto. A própria pasta já havia revisado para cima a projeção de inflação para 2026 em julho.
Ou seja, o mínimo sobe mais porque o preço das coisas também subiu mais do que o esperado.
O que muda para quem recebe o mínimo
O reajuste não fica restrito a quem ganha exatamente um salário mínimo. Ele empurra junto aposentadorias e pensões do INSS, o seguro-desemprego e o abono salarial, porque nenhum desses benefícios pode pagar menos do que o piso nacional.
Quem recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, também sobe junto. O valor do BPC é sempre igual a um salário mínimo.
"O ajuste está dentro do nosso espírito de priorizar a população mais vulnerável, e também vai para a previdência e benefícios atrelados ao salário mínimo", disse Durigan.
Durigan já vinha nessa linha. Em agosto, chamou de "balela" uma proposta de Flávio Bolsonaro sobre privilégios em aposentadorias.
O impacto no caixa é direto. Cada R$ 1 de aumento no mínimo gera cerca de R$ 413,2 milhões em despesa extra, e a nova projeção pressiona o Orçamento de 2027 em R$ 9,9 bilhões.
Nem todo mundo concorda que o valor é suficiente. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mede quanto seria necessário para sustentar uma família de quatro pessoas.
O cálculo cobre alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, higiene e previdência, os itens previstos no artigo 7º da Constituição, e chega a R$ 7.425,99, mais de quatro vezes o valor de R$ 1.621 que vigora hoje.
A distância entre o mínimo oficial e o que o Dieese chama de mínimo necessário não é novidade. O instituto recalcula esse número todo mês. É o parâmetro que sindicatos usam nas negociações salariais ao longo do ano.
O que acontece agora
O governo tem até 31 de agosto para protocolar o PLOA no Congresso. A partir daí, a peça passa pela Comissão Mista de Orçamento, que pode alterar valores e prazos ao longo da tramitação.
Se aprovado como está, o novo mínimo vigora a partir de janeiro de 2027, com efeito no contracheque desde fevereiro.
Como a fórmula depende do INPC fechado até novembro, o valor de R$ 1.741 ainda pode mudar, para cima ou para baixo, antes de virar lei.


























