A Petrobras confirmou a presença de petróleo no poço Morpho, na Foz do Rio Amazonas, a cerca de 175 km da costa do Amapá. O anúncio foi feito na segunda-feira (17) pela presidente da estatal, Magda Chambriard, em Oiapoque (AP), com a presença do presidente Lula.
Os hidrocarbonetos foram identificados por perfis elétricos e amostras de rocha coletadas durante a perfuração, que começou em 20 de outubro de 2025, a um custo aproximado de US$ 1 milhão por dia.
O poço fica em lâmina d'água de 2.886 metros, no bloco FZA-M-59, arrematado pela Petrobras na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013.
"Estão previstos mais três poços para perfuração nessa região. Além disso, há outros cinco poços em áreas adjacentes", disse Chambriard.
Lula visitou o navio-sonda da Petrobras durante a viagem a Oiapoque. "Isso aqui significa soberania nacional. Um país que tem um petróleo dessa qualidade não vai permitir que ninguém meta o dedo nele", declarou o presidente.
O que ainda falta para virar produção
A descoberta confirma a presença de petróleo, mas ainda são necessários estudos para determinar o tamanho da reserva e a viabilidade econômica de extraí-la.
A autorização que o Ibama deu à Petrobras, em outubro de 2025, vale só para a perfuração exploratória. Para produzir petróleo em escala comercial na região, a estatal precisa pedir e conseguir uma licença ambiental à parte, que ainda não foi solicitada.
A região é ambientalmente sensível. Abriga os Corais da Amazônia, descobertos em 2016, além de manguezais e da biodiversidade marinha ligada à foz do maior rio do mundo.
Organizações ambientalistas criticam a nova frente de exploração e questionam se o licenciamento considerou de forma adequada os impactos climáticos e as comunidades tradicionais da região.
Em janeiro deste ano, uma sonda de perfuração na mesma área apresentou vazamento, derramando 18 mil litros de fluido de perfuração no mar. O Ibama multou a Petrobras em R$ 2,5 milhões por causa do incidente.
























