A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no segundo trimestre de 2026, a menor já apurada para um segundo trimestre desde 2012, quando começa a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado representa queda em relação ao primeiro trimestre do ano, quando a taxa estava em 6,1%, e também na comparação com o mesmo período de 2025, quando era de 5,8%. O menor patamar de toda a série continua sendo o do último trimestre de 2025, de 5,1%. A maior taxa já constatada foi de 14,9%, atingida nos trimestres móveis encerrados em setembro de 2020 e em março de 2021, ambos durante a pandemia de covid-19.
No segundo trimestre, o país atingiu 103,1 milhões de pessoas ocupadas, cerca de 1,081 milhão a mais que no primeiro trimestre — o maior patamar já registrado em qualquer período da Pnad. O número de desocupados era de 5,9 milhões, 10% (718 mil pessoas) menor que no trimestre anterior.
Entre abril e junho, o Brasil tinha 39,4 milhões de trabalhadores com carteira assinada, o maior contingente de toda a pesquisa do IBGE, e 13,6 milhões sem carteira. A taxa de informalidade — proporção de trabalhadores informais na população ocupada — ficou em 37,4%. Os grupamentos que mais criaram vagas na comparação com o primeiro trimestre foram transporte, armazenagem e correio (alta de 3,9%, ou 235 mil pessoas) e o bloco de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (alta de 2,6%, ou 489 mil pessoas).
Renda média em R$ 3.738 e menos desalentados
O rendimento médio do trabalhador brasileiro ficou em R$ 3.738, o maior já registrado para um segundo trimestre, embora abaixo do apurado no primeiro trimestre de 2026 (R$ 3.765). Segundo o analista da pesquisa William Kratochwill, o rendimento fica no campo da estabilidade mesmo com o recorde de baixa no desemprego porque as novas contratações costumam pagar na média ou abaixo dos demais salários.
Outro efeito do aquecimento aparece no número de desalentados — pessoas que sequer procuravam trabalho por acreditarem que não encontrariam vagas. Esse contingente ficou em 2,3 milhões, queda de 14,7% (menos 365 mil pessoas) ante o primeiro trimestre.
Mercado aquecido mesmo com a Selic em 14,25%
Os dados coincidem com um período de juro básico elevado: a Selic, definida pelo Banco Central, está atualmente em 14,25%. A taxa alta é uma das formas de o BC combater a inflação, já que desestimula consumo e investimentos e esfria a demanda por produtos e serviços.
Kratochwill avalia que o próprio mercado de trabalho se retroalimenta e suaviza o impacto do juro alto sobre o emprego. "Quando tem mais gente ocupada, o consumo aumenta, aumentam encomendas, produção... O próprio mercado de trabalho pode estar dando essa contribuição para que as pessoas continuem contratando", disse.
A Pnad é divulgada um dia depois do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, que acompanha apenas o emprego com carteira assinada. Pelo Caged, junho teve saldo positivo de quase 145,2 mil vagas formais, e o acumulado de 2026 chega a 921,7 mil postos criados.
Em Minas Gerais, o dado do segundo trimestre ainda não havia sido publicado na base Sidra do IBGE até a noite desta quinta-feira. O número estadual mais recente disponível é o do primeiro trimestre de 2026, quando a taxa de desocupação mineira foi de 5,0%, abaixo dos 6,1% registrados pelo país no mesmo trimestre. No último trimestre de 2025, Minas havia marcado 3,8%.
A Pnad Contínua apura o comportamento do mercado de trabalho para pessoas de 14 anos ou mais e considera todas as formas de ocupação, com ou sem carteira assinada, temporária ou por conta própria. Pelos critérios do instituto, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou uma vaga nos 30 dias anteriores à pesquisa. São visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal. O IBGE classifica como informais os empregados sem carteira assinada e os autônomos sem CNPJ, entre outros — trabalhadores que não têm garantidas coberturas como seguro-desemprego, férias e 13º salário.














