A Polícia Militar deslocou 200 militares para cinco bairros da Zona Norte do Rio e para Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, na quarta-feira (26). A ação busca conter o avanço do Comando Vermelho (CV) sobre o território do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo de Israel, no sexto dia seguido de operação na região.

Segundo a corporação, o efetivo foi enviado para Quitungo, Guaporé, Furquim, Dique e Ficap, na Zona Norte, além do Parque das Missões, em Duque de Caxias. É a primeira vez que a ofensiva, iniciada em 21 de agosto, avança sobre um município da Baixada Fluminense.

A Polícia Militar informou que o setor de inteligência identificou integrantes do CV articulando o avanço sobre a área hoje controlada pelo TCP. A facção domina o Complexo de Israel há anos e disputa território com o CV em outras regiões do estado.

"Estamos fazendo o policiamento preventivo e ostensivo, junto ao setor de inteligência", disse o porta-voz da corporação, major Maicon Pereira, sobre o reforço no policiamento.

A ação reúne o Comando de Operações Especiais, o Bope e o Batalhão de Ações com Cães. Também participam o Choque, o 1º Batalhão de Polícia de Área e unidades de rondas especiais e de motociclistas.

Desde o início da ofensiva, na sexta-feira (21), a PM já retirou mais de 10 toneladas de barricadas das seis comunidades do Complexo de Israel. São elas Vigário Geral, Parada de Lucas, Cordovil, Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas.

Um motorista de ônibus foi baleado de raspão no primeiro dia da operação e liberado em estado estável. Quatro escolas municipais da região chegaram a suspender aulas por causa dos tiroteios.

Na terça-feira (25), a Polícia Civil prendeu oito suspeitos ligados ao grupo, incluindo Luana Rosa de Araújo, apontada como braço direito de Álvaro Malaquias Santos Rosa, o Peixão, líder do TCP na região.

A mesma ação neutralizou um gerente do tráfico em Nova Iguaçu e apreendeu dois fuzis. Também localizou um imóvel usado como esconderijo pela facção, o que os investigadores chamam de "casamata".

Relembre o caso

A megaoperação no Complexo de Israel começou com o motorista de ônibus baleado no primeiro dia de ofensiva e teve uma fase que mirou casos de intolerância religiosa em Vigário Geral.

Dias depois, a PM tomou a decisão de manter a ocupação por tempo indeterminado, que segue valendo nesta nova fase.

O que acontece agora

A Polícia Civil segue cumprindo o restante dos mandados de prisão contra o grupo de Peixão. Não há prazo definido para encerrar a fase de buscas na região.

A ocupação das seis comunidades do Complexo de Israel continua por tempo indeterminado, com bloqueios pontuais na Avenida Brasil e na Linha Vermelha previstos em caso de novo confronto.