A Caixa Econômica Federal teve lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 5,9% em um ano. O resultado veio puxado pelo crédito imobiliário, mas a inadimplência no agronegócio saltou de 7,02% para 20,74% no mesmo período, segundo balanço divulgado pelo banco nesta quarta-feira (26).

O lucro acumulado do primeiro semestre, porém, somou R$ 7,4 bilhões, queda de 17,6% ante igual período de 2025. Segundo a Caixa, a retração reflete o efeito positivo pontual da Resolução 4.966 no primeiro semestre de 2025, que havia reduzido despesas de provisão.

O retorno sobre o patrimônio líquido ficou em 9,16%, recuo de 2,7 pontos percentuais em 12 meses. A receita de intermediação financeira somou R$ 68,7 bilhões no trimestre, alta de 14,4%, e a margem financeira avançou 20,2%, para R$ 19,7 bilhões.

A carteira de crédito total chegou a R$ 1,448 trilhão em junho, alta de 11,9% em 12 meses. O crédito imobiliário, impulsionado por programas como o Minha Casa Minha Vida, somou R$ 1,005 trilhão, alta de 15%, com a Caixa detendo 68% do mercado habitacional.

O ponto fraco do balanço é o crédito rural. A inadimplência acima de 90 dias no agronegócio quase triplicou em um ano, de 7,02% para 20,74%. As despesas com provisão para perdas de crédito somaram R$ 6,97 bilhões no trimestre, alta de 97,6%.

O Banco do Brasil, outro banco com forte exposição ao crédito rural, também sentiu o efeito. A inadimplência do agronegócio avançou de 3,16% para 6,27% em um ano, patamar bem menor que o da Caixa, mas na mesma direção.

Coincidentemente, o BB também lucrou R$ 3,9 bilhões no trimestre, com retorno sobre patrimônio de 8,3%.

Segundo levantamentos do setor, a alta reflete custos de produção elevados, preços de commodities agrícolas em baixa e câmbio volátil, na terceira safra seguida de aperto financeiro no campo. O ano também teve La Niña forte, que reduziu a área agrícola coberta por seguro rural.

A margem do produtor rural já vinha apertada mesmo com a safra recorde de grãos, medida pela TV Sim Brasil em agosto.

O que muda para o crédito rural

O aumento do calote já altera o comportamento dos bancos. Instituições financeiras endureceram os critérios para conceder financiamento agrícola, sob forte demanda por recursos no campo. Para o produtor, o efeito prático é crédito mais caro e mais difícil de conseguir na próxima safra.

O governo tentou conter o problema com uma MP de renegociação de dívidas rurais, que o Banco do Brasil começou a aplicar em julho.