A taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em junho de 2026, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O percentual representa queda de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre imediatamente anterior, de janeiro a março, quando a taxa estava em 6,1%, e recuo de 0,4 ponto sobre os 5,8% registrados no mesmo trimestre de 2025.

Na série histórica da pesquisa, iniciada em 2012, é o menor patamar já medido para um trimestre encerrado em junho. O pior resultado da série para esses mesmos três meses foi o de 2021, quando a taxa chegou a 14,2%; em 2016 e 2017, ficou em 11,4% e 13,1%, respectivamente.

Recordes de ocupação e de carteira assinada

O contingente de pessoas ocupadas chegou a 103,057 milhões, o maior de toda a série da PNAD Contínua. São 1,081 milhão de trabalhadores a mais do que no trimestre anterior (alta de 1,1%) e 741 mil a mais do que um ano atrás (alta de 0,7%).

O número de empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada, excluídos os trabalhadores domésticos, também bateu recorde: 39,419 milhões de pessoas, 252 mil a mais que no trimestre anterior e 399 mil a mais que nos mesmos meses de 2025.

Nas ocupações sem carteira, os números continuaram subindo. Os empregados do setor privado sem carteira assinada somaram 13,568 milhões, contra 13,539 milhões um ano antes, e os trabalhadores por conta própria chegaram a 26,093 milhões, ante 25,778 milhões em igual período de 2025.

A população desocupada caiu para 5,861 milhões de pessoas, uma redução de 718 mil em relação ao trimestre anterior e de 392 mil na comparação com um ano atrás. Ainda assim, o contingente está acima do menor valor já registrado pela pesquisa, de 5,503 milhões, no trimestre encerrado em dezembro de 2025.

Rendimento sobe 2,8% em um ano

O rendimento médio mensal real habitualmente recebido em todos os trabalhos ficou em R$ 3.738 no trimestre até junho. O valor é 2,8% maior que os R$ 3.635 de um ano antes, mas está praticamente estável em relação aos R$ 3.743 do trimestre encerrado em maio e abaixo do recorde da série, de R$ 3.795, medido no trimestre encerrado em março de 2026.

O resultado do desemprego veio em linha com o que o mercado esperava: a mediana das previsões em pesquisa da agência Reuters apontava exatamente 5,4% para o período.

A PNAD Contínua divulgada nesta quinta traz dados para o Brasil como um todo. Os números por unidade da Federação referentes ao segundo trimestre, incluindo Minas Gerais, ainda não estavam disponíveis na base do IBGE até a publicação desta reportagem — o dado mais recente para o estado é o do primeiro trimestre de 2026, quando a taxa mineira foi de 5,0%.