O rendimento médio das mulheres brasileiras é 21,3% menor que o dos homens em empresas com 100 ou mais funcionários, segundo o mais recente Relatório de Transparência Salarial do Ministério do Trabalho. O hiato subiu em relação ao levantamento anterior, que apontava 20,7%. Neste 26 de agosto, Dia Internacional da Igualdade Feminina, a diferença cresce, não diminui.

A data foi criada em 1973 pelo Congresso dos Estados Unidos, em homenagem à 19ª Emenda de 1920, que garantiu às americanas o direito ao voto. No Brasil, o voto feminino veio depois, em 1932.

A Lei da Igualdade Salarial (14.611/2023) completa mais de um ano em vigor. Ela obriga empresas grandes a divulgar critérios de remuneração, plano de cargos e ações de apoio à parentalidade.

A norma também permite ao Ministério do Trabalho notificar quem mantiver desigualdade sem justificativa, para que a empresa apresente um plano corretivo.

O salário mediano de contratação também piorou: mulheres começam ganhando 14,3% menos que homens no mesmo cargo, ante 13,7% no relatório anterior. Um sexto levantamento está em elaboração, com prazo para as empresas enviarem dados até 31 de agosto.

O retrato por setor

No setor bancário, a diferença é menor, mas também está estagnada. As mulheres bancárias recebem hoje 81,6% do salário dos homens, ante 77,5% em 2016, segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo.

No ritmo atual, de 0,46 ponto percentual ao ano, faltam 40 anos para a diferença zerar.

Hoje, a bancária ganha em média R$ 11.694, contra R$ 14.336 do bancário, uma diferença de 18,4%. Entre mulheres pretas e homens brancos, o hiato sobe para 34,2%.

O setor também perdeu 32,3 mil postos de trabalho entre 2020 e maio de 2026, dos quais 80% eram ocupados por mulheres. Na liderança, elas já ocupam 47,7% dos cargos, mas recebem 26% a menos que os homens no mesmo posto.

Não basta reconhecer que existe desigualdade. É preciso que os bancos assumam compromissos concretos, com metas, prazos, transparência

disse Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

O sindicato apresentou a pauta à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) há dois meses, sem receber proposta. A categoria rejeitou a proposta salarial da Fenaban em assembleia.

Os bancários fizeram greve nacional de 24 horas em 20 de agosto, e a próxima rodada de negociação está marcada para esta quinta-feira (27).

O que a lei ainda não mudou

A lei obriga a empresa a divulgar o número e permite notificação para apresentar plano corretivo, mas não fixa meta nem prazo para a diferença cair. Nos dois relatórios do Ministério do Trabalho já comparáveis, ela subiu, não caiu.