A artista japonesa Yayoi Kusama, conhecida por suas instalações de bolinhas e abóboras, morreu em 14 de agosto, aos 97 anos, em um hospital de Tóquio, por falência de múltiplos órgãos. O anúncio ganhou repercussão mundial nesta semana, e a artista deixa um capítulo instalado permanentemente em Minas Gerais.
Kusama era tida como a artista viva mais vendida do mundo. Seu recorde pessoal em leilão é de US$ 10,9 milhões, pago em 2022 pela pintura "Infinity Nets", na casa Phillips.
Outros números do mercado de arte reforçam a dimensão dela: um conjunto de cinco obras suas foi arrematado por US$ 22,9 milhões em leilão da Sotheby's em Hong Kong, e uma única escultura de abóbora chegou a US$ 7,98 milhões.
Na década de 1970, Kusama voltou ao Japão e se internou voluntariamente em uma instituição psiquiátrica, onde viveu o resto da vida. Ela manteve um estúdio bem em frente ao hospital e seguiu produzindo arte por décadas a partir dali.
A galeria que fica em Minas Gerais
O Instituto Inhotim, em Brumadinho, inaugurou em 16 de julho de 2023 uma galeria permanente dedicada só a Kusama, a 20ª do instituto. O espaço tem 1.400 m² e um jardim de 4 mil bromélias, projetado pelos arquitetos Fernando Maculan e Maria Paz.
Duas obras ficam expostas ali: "I'm Here, But Nothing", um ambiente doméstico tomado por pontos coloridos sob luz ultravioleta, e "Aftermath of Obliteration of Eternity", uma sala de espelhos infinitos com lanternas inspiradas em uma cerimônia budista.
Uma terceira obra da artista, a instalação "Narcissus Garden", com 750 esferas de aço sobre um espelho d'água, fica em outro ponto do instituto mineiro.
Quem visitar Inhotim continua podendo entrar numa das salas de espelhos infinitos de Kusama, mesmo depois da morte da artista.
O que fica
A obra de Kusama sempre foi ligada à ideia de repetição sem fim, o que ganha outro peso agora que a autora não está mais viva para segui-la ampliando.
Cabe ao Inhotim, e a museus como ele ao redor do mundo, decidir como preservar essas instalações e para quantas gerações futuras elas continuarão de pé em Minas Gerais.


























