A Petrobras encontrou indícios de petróleo no poço Morpho, na Foz do Amazonas, a 175 km da costa do Amapá e 2.886 metros de profundidade. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (14). Na segunda-feira (17), em visita ao navio-sonda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou a descoberta de "soberania nacional".

Segundo a Agência Brasil, o poço fica no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas de 2.886 metros. A identificação de hidrocarbonetos veio de perfis elétricos e indicativos observados nas rochas perfuradas pelo navio-sonda.

"Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje", disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

A confirmação, porém, não significa que a área já tenha reservas comerciais. As operações de avaliação exploratória continuam, e a Petrobras detém 100% de participação no bloco, arrematado na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013.

O caminho até aqui não foi rápido.

O Ibama negou a licença de pesquisa na região em 2023, decisão comemorada à época pelo Ministério do Meio Ambiente, comandado por Marina Silva. A liberação só saiu em outubro de 2025, depois de a Petrobras reforçar a estrutura de resposta a emergências.

Ambientalistas continuam questionando a exploração na região, por causa do risco a um ecossistema sensível, com recifes de coral e manguezais, num momento de agravamento das mudanças climáticas. A licença concedida pelo Ibama autoriza apenas a fase de pesquisa, sem aval para produção.

Na visita ao navio-sonda, Lula defendeu a exploração. "Isso significa soberania nacional. Não vamos permitir que ninguém meta o dedo aqui", declarou o presidente.

Ele também defendeu diversificar as exportações do estado. "Nós temos que exportar mais do que açaí e tucunaré. Isso é o passaporte para o futuro", completou.

O que ainda falta para virar produção

A diferença entre encontrar indícios de petróleo e extrair o óleo em escala comercial pode levar anos. O poço Morpho segue em avaliação, e qualquer decisão sobre produção depende de um novo processo de licenciamento, distinto do que autorizou apenas a pesquisa.

A lâmina d'água de quase 2,9 mil metros coloca o poço no mesmo patamar técnico enfrentado pela Petrobras no pré-sal, descoberto em 2007 também em águas ultraprofundas, desafio que definiu a década seguinte da estatal.

Poucos dias antes, o presidente já havia citado o petróleo do Amapá como resposta a uma eventual crise no Estreito de Ormuz.

Por ora, a Petrobras diz apenas que a avaliação exploratória do poço Morpho segue em andamento, sem prazo definido para uma conclusão.

O que a descoberta ainda não responde

O anúncio chega em meio a um discurso de soberania energética, mas a licença em vigor autoriza só a pesquisa.

Falta saber se o poço Morpho vai confirmar reservas comerciais e se um novo licenciamento, agora para produção, terá o mesmo ritmo que levou dois anos entre a negativa do Ibama em 2023 e a liberação da pesquisa em 2025.