A Polícia Federal concluiu que houve gestão fraudulenta nas compras de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB, banco público controlado pelo Governo do Distrito Federal. O laudo foi divulgado nesta sexta-feira (11), após o ministro André Mendonça retirar o sigilo dos documentos na noite anterior.
Das 25 aprovações analisadas pela PF, 21 ficaram exatamente no teto de R$ 750 milhões, valor a partir do qual a compra passaria por análise conjunta da Diretoria Colegiada do BRB. A perícia chama a prática de burla material às regras internas de aprovação.
Em 22 operações, que somaram R$ 7,63 bilhões, o banco pagou antes de receber ao menos um dos pareceres técnicos exigidos. As compras seguiram mesmo depois de o próprio BRB identificar falta de lastro, dados fictícios e clientes que não reconheciam os créditos.
Foram R$ 5,23 bilhões aprovados após o primeiro alerta interno da área técnica, e mais R$ 2,19 bilhões depois do relatório final de auditoria.
O laudo cita o então presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, e mais cinco diretores da época das compras. Nenhum foi denunciado ou condenado até a publicação desta reportagem, e o BRB e o Banco Master não responderam ao laudo.
Por que o governador do DF aparece no caso?
O ex-presidente do BRB disse à Polícia Federal que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sabia das negociações com o Banco Master e confiava na condução do negócio. Rocha não é investigado neste inquérito da PF.
Rocha controla a maior parte do capital do BRB e já sancionou um pacote de socorro ao banco.
O pacote inclui um fundo imobiliário formado por nove imóveis de estatais do DF, avaliados em R$ 6,6 bilhões, além de autorização para o governo tomar até R$ 6,6 bilhões em empréstimos.
Quanto o rombo pode custar?
Uma auditoria independente projeta necessidade de provisionamento de até R$ 13,3 bilhões para cobrir os cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos possivelmente fraudulentos que o BRB herdou do Banco Master, liquidado em novembro do ano passado.
O valor supera o fundo imobiliário já autorizado pelo governo do DF para socorrer o banco. A crise já motivou críticas de inércia ao governo federal, rebatidas em agosto pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
O laudo é desdobramento direto da retirada de sigilo de processos do caso Master que Mendonça atendeu a pedido do presidente do STF, Edson Fachin.
A disputa pelo governo do DF corre em paralelo à crise. A vice de Ibaneis Rocha, Celina Leão lidera as pesquisas para sucedê-lo nas eleições deste ano.


























