A fabricante brasileira de pás eólicas Aeris protocolou, na terça-feira (3 de novembro), pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo para renegociar R$ 1,52 bilhão em dívidas. A empresa já tem apoio de credores donos de 42,18% dos créditos abrangidos pelo plano.
O plano busca reduzir a alavancagem e reorganizar a estrutura de capital da empresa, mantendo a fabricação de pás para aerogeradores, os empregos e as relações comerciais. Segundo a Aeris, as linhas de fornecimento continuam normais durante o processo.
O que diz o fato relevante da Aeris
Segundo o fato relevante enviado à CVM, a dívida é de R$ 1,52 bilhão em créditos quirografários, sem garantia real. Ficam de fora dívidas tributárias, trabalhistas e de acidente de trabalho. A suspensão de execuções desses créditos já vale desde o protocolo do pedido.
O valor exato, apurado em 31 de outubro, é de R$ 1.524.489.124,76. É quase o dobro do pedido mais recente do tipo. A TV Sim Brasil mostrou que a Ri Happy pediu recuperação extrajudicial por R$ 827 milhões, em outubro.
Em outubro, a Chilli Beans também pediu recuperação extrajudicial, por R$ 340 milhões.
Casos do tipo se multiplicam neste fim de ano: a Justiça também aceitou processar a recuperação extrajudicial da Braskem, em agosto.
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Não é a primeira reestruturação da Aeris. Em maio de 2025, a empresa já havia renegociado cerca de 90% de sua dívida financeira, com alongamento dos prazos de pagamento.
É a segunda grande renegociação de dívida da Aeris em pouco mais de um ano, sinal de que a crise financeira não foi resolvida em 2025.
"O plano reflete o resultado das negociações empreendidas com o intuito de viabilizar a readequação da estrutura de capital e a redução de alavancagem", afirma a Aeris, em documento publicado na CVM.
A Aeris foi fundada em 2010 por ex-engenheiros da Embraer e abriu capital na B3 em 2020, com uma captação de R$ 1,13 bilhão. O comando é do empresário Alexandre Negrão, fundador do laboratório Medley.
O que acontece agora
O plano ainda será submetido à ratificação dos acionistas em assembleia geral extraordinária, a ser convocada. A Aeris tem até 90 dias, a partir do protocolo, para elevar a adesão dos credores acima de 50% dos créditos abrangidos pelo plano.































