Um acordo entre a empresa americana Crusoe e a paraguaia Araico para abastecer um datacenter de inteligência artificial no Paraguai com energia de Itaipu deve reduzir a eletricidade da hidrelétrica binacional disponível ao Brasil. Os EUA anunciaram a parceria no fim de outubro.
Pelo Tratado de Itaipu, Brasil e Paraguai têm direito a 50% da produção da usina, que soma 14 GW de capacidade instalada. O Paraguai consome pouco da própria cota e vende o excedente ao Brasil por preço preferencial, regra do Anexo C do tratado.
Com o novo contrato, o Paraguai passa a consumir fatia maior da própria cota. Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo avaliam que a energia excedente disponível ao Brasil tende a diminuir nos próximos anos, embora não vejam risco imediato de desabastecimento no país.
A disputa pela energia de Itaipu pode elevar o custo da eletricidade para o consumidor brasileiro, segundo os mesmos especialistas, à medida que a sobra da usina encolhe e o país precisa recorrer a outras fontes.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, defende há anos uma mudança no Anexo C do tratado. Ele argumenta que o país vende o excedente de energia ao Brasil por preço inferior ao que poderia obter em outros contratos, como o fechado com a Crusoe.
Peña também disse ser contrário a reduzir a tarifa cobrada pela energia de Itaipu.
A TV Sim Brasil mostrou, em 21 de outubro, que os Estados Unidos haviam mirado a energia de Itaipu para abastecer data centers no Paraguai.
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Dois dias depois, a reportagem já mostrava que o acordo de inteligência artificial no Paraguai poderia reduzir a energia de Itaipu disponível ao Brasil. A avaliação de especialistas na quarta-feira (4 de novembro) confirma essa tendência.
Como fica a energia disponível para o Brasil?
A energia disponível ao Brasil por meio de Itaipu tende a cair à medida que o Paraguai amplia o consumo da própria cota. Especialistas não veem risco imediato de falta de eletricidade, mas apontam pressão de alta sobre o custo da energia.
Especialistas ouvidos pelo jornal Tribuna do Sertão avaliam que Itaipu se tornou outra frente da disputa de influência geopolítica na América Latina. A hidrelétrica passou a interessar aos Estados Unidos pela corrida por infraestrutura de inteligência artificial, que depende de grandes volumes de energia renovável.
A disponibilidade de energia renovável pode permitir ao Paraguai deixar de ser apenas exportador de eletricidade e passar a oferecer infraestrutura digital e serviços de tecnologia ligados à inteligência artificial, segundo a mesma avaliação.
O que acontece agora
O presidente paraguaio projeta concluir até o fim deste ano as negociações com o Brasil sobre o novo modelo de venda do excedente de Itaipu. Não há, até a quarta-feira (4 de novembro), data marcada para uma nova rodada entre os dois governos.
Enquanto a negociação não avança, o volume de energia que o Brasil recebe da usina binacional segue definido pelas regras atuais do Anexo C, sem mudança na tarifa preferencial paga ao Paraguai.


































