O Brasil pode atrair US$ 60 bilhões por ano em investimentos em data centers até 2050, o dobro dos cerca de US$ 30 bilhões anuais de hoje. É o que projeta o estudo "Global Data Centre Outlook 2026-2050", da PwC com a Oxford Economics.

O levantamento cobre 46 países e territórios e modela como a corrida por infraestrutura de inteligência artificial deve se espalhar pelo mundo até a metade do século.

No cenário central do estudo, o gasto global com data centers sobe de cerca de US$ 800 bilhões em 2026 para US$ 1,1 trilhão em 2030 e US$ 1,8 trilhão em 2050.

Somado ao longo de todo o período, o total projetado é de US$ 31,6 trilhões.

Em um cenário de aceleração ainda maior da adoção de inteligência artificial, o investimento acumulado pode chegar perto de US$ 50 trilhões, segundo a PwC.

"O Brasil reúne características importantes para atrair esta nova onda de investimentos. Somos um país com um grande mercado consumidor", disse Daniel Martins, sócio da PwC Brasil que lidera o setor de energia e utilidades, ao comentar o estudo.

Por que o Brasil pesa nessa conta

O país aparece entre as economias das Américas com maior potencial de ampliar participação no setor, ao lado do Chile e do Canadá. É hoje o maior mercado de data centers da América Latina.

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Segundo a PwC, três fatores decidem como esse dinheiro se divide entre os países: a disponibilidade de energia, as regras de soberania de dados e a cadeia de suprimento de semicondutores.

É justamente nesses três pontos que o Brasil tenta se posicionar, com energia relativamente barata e a promessa de dados processados dentro do próprio país.

O movimento já havia sido descrito em outros números no país. Em setembro, um estudo setorial avaliou que um único data center de IA pode movimentar R$ 25 bilhões e gerar 37 mil empregos.

O governo também aposta na área: o presidente Lula já disse que o programa Redata pode trazer R$ 500 bilhões em investimentos ligados à inteligência artificial em português.

O boom tem um custo que já aparece nos números: data centers de IA em São Paulo consomem 16,1 bilhões de litros de água por ano, segundo outro estudo. É o lado da conta que o otimismo do investimento não resolve sozinho.