O presidente do PT, Edinho Silva, assume na terça-feira (3 de novembro) a condução das negociações com partidos do Centrão para montar a base de apoio do quarto mandato de Lula, que começa em janeiro. As primeiras conversas são com Republicanos e MDB.
A apuração é da analista de política Jussara Soares, ao CNN Prime Time. Segundo ela, dirigentes do Republicanos e do MDB já sinalizaram positivamente ao diálogo, e novas reuniões com presidentes de outros partidos do Centrão estão marcadas para os próximos dias.
A diferença em relação ao terceiro mandato está na contrapartida exigida. Desta vez, cargos na Esplanada devem vir atrelados ao compromisso de voto nas pautas prioritárias do governo, não apenas à indicação de nomes para cada pasta.
O motivo é o tamanho da oposição que o novo Congresso vai ter. A partir de 2027, o PL terá a maior bancada da Câmara, com 121 deputados, ante 99 eleitos em 2022.
No Senado, a sigla de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também lidera, com 28 parlamentares.
A federação PT-PCdoB-PV, por comparação, soma 88 deputados — menos de três quartos da bancada do PL. No Senado, o PT fica com nove cadeiras, seguido por MDB (8), PP e Republicanos (6 cada), segundo levantamento do Congresso em Foco com dados do TSE.
O movimento já havia sido sinalizado na semana passada, quando Lula afirmou que pretende condicionar a distribuição de ministérios aos votos que cada partido garantir no Congresso.
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Uma das críticas ao terceiro mandato foi o fato de o Palácio do Planalto ter sido dominado pelo PT, com pouco espaço para outros partidos em posições estratégicas do governo.
Agora, a abertura ao Centrão é tratada como condição para evitar repetir as derrotas sofridas em votações no Congresso, e não como gesto de boa vontade.
A pressão já aparece nos bastidores. União Brasil e PP já pediram três ministérios a Lula para integrar o novo governo, antes mesmo de as conversas formais com Edinho Silva começarem.
O desenho também segue a partilha já combinada nas duas Casas: o PL ficou com o comando do Senado e cedeu a presidência da Câmara ao Centrão.
A montagem do novo governo também passa pela definição da equipe econômica, que deve ficar mais clara a partir das reuniões desta semana, segundo Jussara Soares. Durante a campanha de reeleição, Lula prometeu um "novo jeito de governar".
O que acontece agora
Edinho Silva tem encontros marcados com presidentes de partidos do Centrão ao longo desta semana. O Planalto orienta ouvir todas as siglas de centro antes de fechar o novo time ministerial, que assume com a posse de Lula, em janeiro.































