Santa Catarina concluiu a desinfecção das três granjas de perus no Oeste do estado onde a doença de Newcastle foi detectada em outubro e aguarda, nos próximos dias, os laudos que vão sustentar o pedido de retomada total das exportações de frango.

Os focos foram confirmados em granjas comerciais de Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim, dentro da área de emergência zoosanitária que também abrangeu Águas Frias. As propriedades estão em vazio sanitário, sem aves, até a chegada de um novo lote.

Em nenhum momento foram encontradas aves doentes, apenas circulação do vírus. A Cidasc, companhia agrícola do governo catarinense, coordenou a inspeção e a análise laboratorial de mais de 200 propriedades da região.

Até agora, foram feitas 91 análises laboratoriais. Duas amostras ainda aguardam o sequenciamento genético, e a operação de controle mantém quatro barreiras ativas para fiscalizar e desinfetar veículos na região.

A doença de Newcastle é uma infecção viral que atinge aves domésticas e silvestres e pode ser letal para os animais.

Em humanos, o efeito mais grave é uma conjuntivite transitória, que dura cerca de uma semana. A transmissão ocorre pelo contato, não pelo consumo da carne.

O surto levou China, México e Chile a restringir o frango brasileiro ainda em outubro. México e Uruguai chegaram a suspender totalmente as compras; China e Arábia Saudita limitaram o embargo à carne produzida em Santa Catarina.

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A Malásia também suspendeu as compras do produto catarinense. O México, que havia banido o frango por completo, já anunciou a retomada das importações, o primeiro país a reabrir o mercado desde o início da crise.

A África do Sul manteve as compras do frango brasileiro mesmo durante a crise. O episódio mostra que o impacto comercial do foco dependeu de cada país avaliar o risco sanitário por conta própria, não de uma reação automática e uniforme.

O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango, e Santa Catarina é o segundo maior produtor do país. A doença havia sido considerada erradicada em 2006, mas voltou a aparecer em julho de 2024, em Anta Gorda (RS), antes do foco atual.

Estimativas creditadas ao governo brasileiro apontam perda potencial de US$ 954 milhões ao ano caso as restrições se mantenham amplas. Mesmo assim, dados preliminares de outubro mostram os embarques diários de frango 15% acima do mesmo período do ano passado.

O que acontece agora

Os laudos genéticos das duas últimas amostras devem sair ainda esta semana. Com o resultado, Santa Catarina e o Ministério da Agricultura vão montar os estudos estatísticos usados para pedir a cada país a retomada total das compras.