A mineradora de ouro australiana Northern Star Resources vai investir A$ 1,8 bilhão (US$ 1,26 bilhão) para dobrar a capacidade de processamento em Kalgoorlie até 2029, sob pressão de investidores ativistas. Analistas projetam alta de 50% a 70% na produção até 2030.

O investimento é parte de um esforço para elevar o valor da empresa, que enfrenta cobrança de acionistas ativistas. O foco é nas operações australianas, que representam 80% das vendas da Northern Star.

"Não há dúvida na minha mente, é um ativo de primeira linha", disse o CEO Suresh Vadnagra a investidores, em 21 de outubro. "A expansão e a qualidade da usina me dá confiança de que esse ativo gerará receitas muito atraentes no futuro", completou.

A empresa também busca expandir a mineração subterrânea, onde teores mais elevados de minério podem ser extraídos, e deve decidir no 1º semestre de 2026 se investe no Projeto Hemi, com reservas estimadas em 5,5 milhões de onças troy de ouro.

No ano fiscal que termina em junho de 2027, a Northern Star espera produção estável, entre 1,5 milhão e 1,65 milhão de onças de ouro.

A receita do último ano fiscal subiu 19%, para cerca de A$ 7,6 bilhões, boa parte pela alta do preço global do ouro. O metal foi a recorde de US$ 5 mil em janeiro e hoje custa US$ 3.899 a onça.

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Em 2021, a Northern Star tinha prometido produzir 2 milhões de onças por ano até junho de 2026. Abandonou a meta em julho de 2025, sem minério de alto teor suficiente nas minas a céu aberto de Kalgoorlie e com equipamentos envelhecidos.

A empresa, 10ª maior produtora de ouro do mundo em 2025, já havia cortado a perspectiva de produção em março, por problemas de moagem e produtividade.

Pressão de investidor ativista

Por trás da pressão está o fundo ativista Elliott Investment Management, que tem participação bilionária na Northern Star. Elliott cobra uma revisão estratégica formal. A venda da empresa está explicitamente colocada como opção, não apenas como ameaça retórica.

Alternativamente, o fundo pede a troca por um CEO externo com histórico de recuperação de empresas, revisão completa dos três principais ativos e reforço do conselho com especialistas em mineração de ouro.

Segundo a apresentação da Elliott, a Northern Star errou a meta de produção ou custo sete vezes em quatro anos fiscais, incluindo quatro revisões para baixo só nos três primeiros meses de 2026.